Análise: Preparação para a queda e a importância do pé de apoio para ganhar alcance!

  • A análise ao 3o golo sofrido por Claudio Bravo contra o Wolves, na derrota por 3-2 do Manchester City.

A diferença entre um remate ser defensável ou não está no pormenor que pode/deve ser alcançado. E é nesse que aqui nos focamos, indo além do bom remate feito pelo adversário.

  1. Quando o remate surge, o pé esquerdo de Bravo (o pé de apoio para ganhar impulsão para o voo) está no espaço a branco.
  2. O remate já está perto da mão de Bravo e o alcance máximo que pode ter, que deriva da forma como usa os pés para ajudar ao voo, é o que está marcado no ponto 2. O pé esquerdo está na mesma zona que estava no momento em que o remate surge no momento inicial.
  3. A nossa sugestão para uso do pé esquerdo de apoio e o alcance que podia ter tido e que lhe daria a hipótese de defender (em teoria, claro.

Vamos explicar cada um destes pontos de forma individual.

  1. a) No momento do remate, Bravo está bem fixo e bem orientado para o batedor. Pés à largura dos ombros e corpo em posição base adequada para um remate que surja daquela zona. Em termos de profundidade: é um posicionamento coerente e perceptível. Se podia estar um ou dois espaços mais atrás para conseguir ganhar espaço e tempo para analisar o lance e depois responder ao remate? Depende do que lhe estejam a pedir no modelo de jogo do Manchester City e o que exigem ao guardião nos posicionamentos a adoptar. Como tal iremos só abordar as questões mais técnicas/físicas que são independentes deste contexto colectivo.

b) Salto de preparação e um desequilíbrio notório entre os dois apoios (o direito mais alto que o esquerdo, estando ambos fora do solo).

2. Reolhando para a imagem de destaque, o ponto 2 é quando a bola já está perto da mão direita de Bravo. Reparem no pé esquerdo que mantém a mesma zona de impulsão e com pouco alcance além do primeiro momento em que o remate é feito. A prova do baixo alcance para a defesa é o ponto onde a mão chegou: sendo este espaço o normal em termos de alcance do seu corpo. Como se o corpo apenas “tombasse” para a defesa.

Podia ser mais – como mostrado no ponto/marcas 3 – se colocasse mais força no seu pé esquerdo e o golo passaria a ser defensável ao invés do seu contrário…

O video do lance com a análise:

Conclusões gerais:

Indo além desta questão muito individualizada e partindo para algo mais conceptual aplicado a uma maior diversidade de casos: o pé de impulsão para o voo é do lado da bola quando o guardião quer ganhar alcance e equilíbrio/estabilidade para a defesa. Neste caso utilizou a técnica de varrimento (apoio do lado contrário faz a força e o direito suporta a queda) para uma queda mais rápida. Bastava aplicar mais força no pé esquerdo – que perdeu “força” pelo salto preparatório anterior, em que os dois pés estão em alturas diferentes e desequilibrados, – para ter mais alcance.

Por Gonçalo Xavier, Treinador de GR e Fundador e Gestor d’A Última Barreira e de UB Coach (presentes apenas no Twitter):

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