Pelo princípio formativo: não fazer, mesmo, o que Lopes fez para o golo de Pizzi!

Jogar para o meio implica sempre um risco elevado, que está sempre inerente, e que acentua se as coberturas não existem (a prevenir uma transição rápida sem o devido acompanhamento) e se a equipa não está preparada para ali jogar naquele momento.

É importante, pelo princípio formativo para as futuras (e presentes) gerações de guarda-redes, falar deste golo de Pizzi na vitória por 2-1 do SL Benfica contra o Lyon, na 3a jornada da Champions 19/20, e que Anthony Lopes teve um lapso gigante.

Se, no primeiro momento, Anthony Lopes controla muito bem o espaço – momento defensivo – (no posicionamento inicial e também no bloqueio que faz, de forma acertada, no final da área), não faz – já na sua posse – a melhor acção para iniciar a transição ofensiva – momento ofensivo.

Para jogar no meio, é importante garantir – o GR e os colegas – que existem as devidas coberturas entre a bola e baliza para evitar uma transição rápida contrária que possa colocar a equipa que está com a posse de bola em perigo. Neste caso, além deste perigo de não existir coberturas, ainda está Pizzi (jogador contrário) que tem como pé dominante o direito e que protege facilmente o centro do terreno que seria o destino da bola colocada por Anthony Lopes, a pressionar perto o receptor.

A juntar a isto: a forma da distribuição. A reposição à mão é uma forma que garante uma trajectória mais linear em comparação com o pé. Mas uma reposição, com a mão, “picada” e que garante dificuldade na recepção do colega (que está pressionado), não é uma boa decisão.

E, por último, complementando as anteriores, fazer a reposição com a mão num canto da área para a zona central, deixando a baliza aberta. Pizzi, com qualidade e percepção de tudo o que estava a acontecer, antecipa-se com qualidade e remata de primeira para o golo da vitória “encarnada”.

Podíamos ainda referir o momento e minuto de jogo: 85 minutos de jogo. Existia motivo (e condições!) para uma reposição rápida e aumentar o ritmo de jogo, ainda para mais com destino a uma zona de risco? A pergunta talvez se responda a ver o vídeo do lance em que trás muitas lições aos guarda-redes em geral e que é um erro que Anthony Lopes não voltará a cometer, com mais ou menos confiança em si e na acção que faz.

Lições simples de executar e que previnem uma ultra-exposição (e que coloca caos a um jogo que já pendia para a acalmia).

 

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