Uma nova construção ofensiva, desde o GR, por Pep Guardiola? GR fora da área a marcar ritmos e o início das jogadas, com Ederson Moraes

Talvez por necessidade pela recente onda de lesões que a equipa do Manchester City, liderada por Pep Guardiola, na zona central da defesa, existiu uma inovação na forma de construir desde trás com o GR. Se a responsabilidade maior nestas tarefas era colocada nos defesas centrais, agora foi Ederson a liderar parte dos ritmos e momentos do jogo com um posicionamento inicial fora da grande área, quando antes só tinha  – como padrão – dentro da área.

A seguinte imagem é esclarecedora em algo que se repetiu em quase todas as acções com os pés do guardião brasileiro na vitória de ontem por 3-0 contra o Shakhtar. O padrão foi quase sempre o mesmo, passe recuado de um defesa, GR posicionado ao centro fora da área com recepções de frente (de forma a ganhar visão para os 3 corredores) e esperar movimento do médio defensivo, abertura dos centrais e laterais e ter uma vantagem de 6 jogadores para 2 avançados dos ucranianos no momento da construção desde trás pelo GR. Estes dois elementos mais ofensivos dos ucranianos tentaram-se dividir nas duas zonas na imagem seguinte (branca e amarela).

Edição na plataforma Instat

Uma curiosidade foi a zona de destino destes passes por Ederson onde os que falhou foram aqueles que tentou colocar nas costas da defesa adversária de forma longa (3 em 5 passes longos falhados) e, quando curto, a maior frequência foi na zona a amarelo assinalada – entre Rodri (MD), Otamendi (DC) e Walker (DD) – como mostram as estatísticas oficiais UEFA:

Via UEFA.com

Se o maior número de passes vindo do GR surgiu para Fernandinho, a maioria vinda de zonas mais recuadas de Ederson, não surgiu nenhum passe do GR para Zinchenko (DE) e a maioria saiu, sobre as zonas definidas na imagem acima, para o MD, DC direito e DD. Ou seja, 15 passes para o centro/direito vs 8 passes para o centro/esquerdo. 

Alguns dos passes mais longos foram tentativas falhadas em acelerar o jogo para as costas do adversário, mas existiu uma clara tentativa de garantir, por outra via – no caso com o GR – a construção de jogo desde trás com clara superioridade numérica contra uma equipa que também assumiu o jogo, apesar do raio de acção dos passes ter sido mais reduzido. O GR com mais responsabilidade no jogo a marcar o início do caminho das jogadas e o ritmo também (acalmar ou acelerar?)

Importante mostrar também os espaços ocupados por Ederson neste jogo, com mapas de calor do Sofascore, neste último jogo e alguns dos jogos mais “tranquilos” na época de Ederson:

Via Sofascore

As diferenças no final da área, neste último jogo (no mapa da direito), mostram essas diferenças posicionais. 

Ora vejam o vídeo com estas acções mais ofensivas no posicionamento por parte de Ederson Moraes que foram parte do plano/padrão para este jogo. Mas será que é para repetir ou foi uma adaptação táctica para este jogo? Fica o video:

De referir que a atribuição desta responsabilidade, nestes espaços, não é nova no Futebol actual mas que em Pep confere uma novidade. Hamburgo com Pollersbeck (ver aqui) numa versão ainda mais alta e com mais risco, o Benfica sub15 na época passada com André Gomes na baliza, são alguns dos clubes a terem feito este tipo de construção mais recentemente.

 

Facebook Comments