As balizas adversárias do SL Benfica na Liga dos Campeões (Análise)

Gulacsi (Leipzig), Anthony Lopes (Lyon), Lunev (Zenit) em análise.

Três guarda-redes subvalorizados nos respectivos contextos, por referências de comparação com os adversários na mesma liga ou por histórico, sendo que Lopes é o único que só o é… além das portas de França (é, há anos, dos grs mais valiosos no país).

Gulacsi (Leipzig)

Características: O gigante húngaro despreocupado que pauta os ritmos e emoções desde trás. A ganhar mais importância esta época (mesmo com a amostra reduzida) no jogo de pés, já aumentou as médias que tinha em acerto e quantidade da época passada. Evoluiu muito na Alemanha.

Estável emocionalmente, é coerente em quase tudo o que faz. E não há maiores qualidades que estas quando nos referimos a seres humanos. De posicionamentos acertados, procura responder aos estímulos pelo seu reajuste e equilibro e estar sempre na bissectriz entre a bola e baliza. É um dos alicerces, nos últimos anos, do Leipzig e é perceptível: é dos mais constantes e estáveis jogadores da equipa. Não é daqueles que muitos pagariam um bilhete para ver pelo que oferece ao espectáculo mas podiam fazer pelo que dá ao colectivo. Daqueles que não perde pontos

Dados colectivos/referências nos golos sofridos: Esta época 19/20, aqui já uma pequena referência colectiva também, tem apenas dois golos sofridos em três jogos disputados, sendo que todos eles foram nos 5 minutos finais.. de cruzamentos do lado esquerdo da defesa. Um mais aberto ao 2o poste, outro ao poste mais perto.

Problemas em deslocamentos maiores: O maior problema que se pode apontar a Gulacsi é a sua capacidade de deslocamentos mais longos Se é muito eficaz e equilibrado em ajustes e passos curtos, quando lhe é exigido que dê mais passos e para o lado contrário, por exemplo, tem muitas dificuldades para a acção seguinte.

Algumas das suas melhores defesas desde 2018:

 

Andrey Lunev (Zenit)

O desesperante guardião russo… mas só para o adversário.

Características: Agilidade, rapidez e muita capacidade no 1×1 defensivo. Procura ter um raio de acção alto e ter o máximo de recursos possíveis ao seu dispor e a favor do colectivo.

É um guarda-redes mais vivo, parecendo estar sempre dentro do encontro. Por esta vivacidade é que é capaz de estar muitas vezes fora da área e estar focado para a acção seguinte, seja ela ofensiva ou defensiva. E fá-lo com qualidade em condições normais. No adverso, simplifica. Tem números altos na distribuição com os pés por dois motivos: baixa pressão contrária na liga interna até ao GR, tendo sempre como sair a jogar curto e de forma assertiva e, quando precisa de jogar longo existe o gigante Dzyuba para vencer o duelo aéreo como referência central.

Uma questão mental e de oportunidade adversária: Se o deixam ganhar conforto e confiança na partida, pode ser um “osso duro de roer” Pela extrema preocupação em defender, por vezes fá-lo para a frente, gerando duplas oportunidades ao adversário. Quando mais pressionado pode ser problemático. Mas é alguém muito confiante de si.

Algumas das suas melhores defesas desde 2018:

 

Anthony Lopes (Lyon)

O “nosso” português que tem dúvidas se é humano ou um pássaro.

Contexto e histórico: Vem de uma Champions estratosférica na época passada onde chegou a parar o City de Guardiola, nos grupos, e ia desesperando o Barcelona de Messi.

É a maior referência, em campo – pela qualidade e longevidade no clube – e daqueles GRs que dão pontos… muito pontos. Numa equipa que tradicionalmente se expõe muito aos jogos mais “partidos”, Lopes costuma ser o garante que, defensivamente, se criem menos problemas.

Características: De uma capacidade acima da média na baliza, é ágil, rápido, de movimentos agressivos para encarar o adversário. Compensa o tamanho com a atitude dentro dos postes e fora deles com decisões arrojadas. Joga no risco em momento de 1×1 mas o acerto é alto.

Oportunidades: Daqueles que o adversário terá de explorar, desde cedo, para impedir que crie ímpeto. Uma boa solução está no momento dos cruzamentos onde por vezes não toma muitas decisões mais racionais no tempo e momento de sair, mas quando “fica na baliza” assume a sua qualidade na reacção.

No ar é onde tem mais problemas que tenta compensar na baliza. Não é um guardião que procure muito a antecipação, a não ser no 1×1 onde isso já pode ser uma alternativa e quando está mais confiante com um histórico de acções de sucesso durante a partida. Emocionalmente, por vezes, é absorvido pelo ambiente nas bancadas. Por vezes isso é bom… outras é nocivo.

Algumas das suas melhores defesas desde 2018:

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