Análise: Posicionamento no cruzamento e o domínio do corpo (e mente) – Renan Ribeiro vs Benfica

Já fomos escrevendo sobre o tema no nosso Twitter e já fizemos uma pequena análise sobre este lance em específico mas aqui fica mais completo para ser perceptível o que aconteceu e uma possibilidade diferente de posição e, por consequência, da acção. (ver aqui essa análise)

Falamos do primeiro golo sofrido por Renan Ribeiro contra o SL Benfica, na derrota por 5-0, na Supertaça Portugal.

Video completo e, de seguida, o lance explicado por imagens/textos:

Perceber o adversário e onde devemos estar perante a probabilidade mais evidente da acção do adversário:

Nota a várias coisas neste lance, esquecendo parte do contexto colectivo defensivo do Sporting CP (defesa de 7 jogadores + GR vs 4 homens contrários, e um deles em fora-de-jogo) e focando apenas no individual (GR).

Lado direito do campo e um jogador pronto a cruzar (nota-se pela postura corporal até) com o pé do mesmo lado e, assim, a probabilidade de cruzamento surgir (mais ou menos aberto) é maior e o remate é menos provável de surgir ao primeiro poste.

O guardião está posicionado entre o centro e o primeiro poste num lance em que pela predisposição do adversário, e até pela dificuldade noutra acção distinta, é de cruzar. Está a controlar uma zona mais reduzida do potencial provável do lance e, parte disso, surge além do posicionamento mas também de como está orientado (totalmente para a bola e não para o meio, onde ganhava abertura para se mover no sentido contrário e também visão periférica para analisar a trajectória da bola e os colegas ou adversários, para tomar a melhor decisão possível).

A sua zona controlável está a branco e a laranja a zona que será menos provável ter uma acção com sucesso pela zona onde está posicionado e como está orientado. O movimento à retaguarda é complexo e exigente e pode gerar desgaste quando acontece o ponto final, que é o remate. E estas zonas controláveis (ou não) tem também a ver com a forma como está orientado para o lance.

Eis a nossa sugestão para ganhar espaço e tempo para a acção seguinte, após deslocamento.

A branco, no chão atrás do GR, está uma sugestão de posicionamento. É pouco mais de um passo na diagonal em direcção ao segundo poste e, além disso, a orientação de apoios mais para o centro em vez da bola. Para ganhar visão periférica e ser mais fácil um movimento ao poste contrário. Reparem nas zonas marcadas de hipóteses e espaços a controlar. Podia chegar ao lance do remate mais equilibrado e até ganhar a hipótese da saída no ar (mais difícil). Ou seja, ganhava – no sentido de controlar melhor o lance em vez de ser controlado pelo adversário – mais hipótese/espaço de acção.

O corpo… no momento do remate:

No momento em que surge o remate, Renan ainda está em movimento após o deslocamento anterior. Ou seja, com isto, não chega ao remate equilibrado e pronto para ler as possibilidade de execução do adversário.

Os apoios estão muito abertos, os braços dobrados e próximos ao corpo e mete o corpo ligeiramente para trás. Perante um remate de primeira e cruzado, assim, seria impossível defender além da sua zona de acção por estes problemas anteriores. Até a sua parte “descomplexada” no momento de reagir ao remate mostra essas problemáticas e até desconfiança que pudesse evitar o golo.

Tudo se resume aos primeiros posicionamentos e forma de ler o lance, relembrando que a proposta de pouco mais de um passo na direcção ao segundo poste é para ganhar mais espaço de acção e tempo para decidir também.

É importante assinalar também que é mais fácil dar um passo à frente do que atrás portanto a lógica impera aqui na facilidade de movimentos do GR. Uma boa lição para ter de base…

E para se entender, Renan Ribeiro já fez isto bem, como podem ver no exemplo no link seguinte (ver aqui)

E um grande exemplo de Iker e como um posicionamento bom muda toda a jogada (ver aqui)

É uma questão de manter a intenção e ideia e até a confiança para se fazer.

Por Gonçalo Xavier, Fundador e Gestor d’A Última Barreira

 

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