Em contexto de cruzamento, algumas mudanças posicionais de Rui Patrício

Por Gonçalo Xavier, Fundador e Gestor d’A Última Barreira

Na sua primeira temporada no estrangeiro num campeonato exigente como o inglês, Rui Patrício já denota algumas mudanças posicionais e comportamentais em certos momentos do jogo. De um dos capitães e referência no Sporting CP, onde jogou em contexto profissional durante uma década, a um elemento decisivo na caminhada história do Wolves na Liga inglesa onde na primeira época após subida, alcançou o 7o lugar que lhe garantiu o lugar europeu do próximo ano. E nesta época, há poucos dias, ajudou a vencer a primeira edição da Liga das Nações por Portugal, no seu segundo título europeu ao nível de selecções.

Voltando ao tema…

Se já é evidente uma maior activação quando a bola entra no meio campo defensivo, com constantes mudanças nos apoios – nota-se, de forma clara, que está a assimilar novas ideias e que ainda está nesse processo de adequação/adaptação – e entre movimentos verticais principalmente (avançar ou recuar), onde se evidenciam as maiores diferenças das épocas passadas são nos posicionamentos no momento do cruzamento, principalmente em zonas perto do último terço (perspectiva do atacante)

Os lances em comparação são de Rui Patrício em Abril de 2018 e agora na final da Liga das Nações, Junho de 2019. Em pouco mais de um ano de diferença, algumas diferenças posicionais em contexto de cruzamento. No primeiro lance, em 2018, está muito posicionado ao primeiro poste num cruzamento que se prevê mais aberto, até pelo movimento corporal de Nakajima (quem cruza). Na imagem assinalamos o que podia ser uma sugestão de posicionamento até para reduzir distâncias percorridas e chegar mais equilibrado ao lance. Teve sucesso na saída, sem pressão contrária, mas agarrou no limite das forças.

Imagem Sporttv via Instat

No segundo lance, em 2019, há poucos dias, manteve uma posição mais aberta, entre o centro e 2o poste, interpretando bem que dali só pode sair um cruzamento “aberto” e como tal chegará mais facilmente ao cruzamento ou estará mais preparado para um possível remate se mantivesse um posicionamento do género.

Percebeu que não chegaria à bola, recuou e, em poucos apoios, estava preparado para responder ao remate. Assim teve tempo e espaço para interpretar e decidir e reduziu a complexidade de responder ao lance com uma redução clara de movimentos durante o cruzamento e após o remate. Além disto, cada se saísse ao cruzamento, atacaria-o de frente. 

Em ambos os lances há uma oposição do lateral no momento do cruzamento.

Estas mudanças podem já ter algum dedo do treinador específico, Rui Barbosa, que defende um guardião mais proactivo e com posicionamentos mais altos para reduzir distâncias percorridas e ângulos possíveis para os elementos contrários.

Além disto, nota-se ainda um Rui mais coordenado e fisicamente pronto dentro dos postes. Retira profundidade de forma mais pronta e dentro da baliza chega ao outro lado da mesma mais rapidamente e de forma equilibrada. Exigências do futebol inglês que pede guardiões com disponibilidade física acima da média e o trabalho tem de convergir nesse sentido.

 

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