Campeonato Portugal: Os 8 guardiões que vão lutar pela subida à 2a liga (Parte II)

Podem ver aqui a primeira parte do artigo onde se fala de Leonardo, Valerio, Victor e Rafael (artigo completo), também por Gonçalo Xavier Fundador e Gestor d’A Última Barreira

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Tiago Maia – Praiense

O guardião que joga no clube vindo dos Açores, assume-se como um dos elementos-chave no sucesso do Praiense no Campeonato Portugal, oferecendo qualidade e experiência de futebol profissional (tal como uma boa base formativa ao serviço do FC Porto) a um clube que tem ambições e qualidade para voos maiores.

Com 1.83m e 26 anos de idade, parece que já conhecemos Tiago desde sempre, tal a quantidade de anos que está nos campeonatos profissionais e semi profissionais em Portugal. E é um guardião de alta craveira, sendo que este ano além da liderança da Série D, também brilhou em Braga, pelo mesmo clube, na Taça de Portugal, estando a poucos passos de ser um dos “carrascos” do clube na competição.

Esguio, rápido, corajoso, audaz, confiante, comunicativo, focado… e louco. Uma boa dose de loucura nunca fez mal a ninguém, quando é saudável e não entra em conflito com ninguém… certo? Está sempre dentro do jogo. É rara a vez que é apanhado distraído. E mesmo que esteja, sendo pouco frequente, é capaz de se esticar todo para evitar um golo.

É um guarda-redes que sabe desesperar o adversário. E numa eliminatória a duas mãos, é aquele atleta que é capaz de chegar ao campo/estádio do adversário e sair de lá com uma baliza a zeros, levar a equipa contrária e seus adeptos ao desespero, porque é um defensor acima da média nestes contextos semi-profissionais. Tem no seu jogo de pés, no 1×1 e na coragem, audácia e velocidade as suas maiores qualidades. Ou seja, é capaz de estar numa equipa em bloco mais baixo, sendo um exímio defensor da baliza no seu curto espaço, como de ser um primeiro construtor com os pés desde trás (além de ter força na batida longa com o pé…) e até cortar lances fora da área.

Contudo, onde mais rapidamente pode ser traído é precisamente por uma das suas características chave: a necessidade de ir a quase todas. Ele obriga-se mesmo a isso pela extrema confiança que tem em si que é capaz de resolver os problemas. Falta uma melhor interpretação na questão da bola descoberta que terminam com passes colocados para as costas da defesa. Questões como “devo ir?” ou “devo ficar e depois sim aproximar?” são respondidas normalmente com um convicto “deixa estar que eu resolvo” e por vezes não é a melhor decisão. No jogo aéreo tem a mesma questão na sua cabeça pela vontade de resolver os problemas antes de existir um remate, mas aí a resposta é muitas vezes “deixa-me recuar, que eu resolvo a reagir”.

Mas um grande atleta, tal como um excelente profissional dentro e fora do campo. Daqueles que é um líder desde trás. Muito proactivo na comunicação, em questões defensivas e de ajustes como ofensivas para sair a jogar. Ver como comunica, na forma e conteúdo, é quase uma descrição perfeita do que é Tiago.

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Pedro Soares – Fafe (vs Praiense)

Pedro é um dos guardiões mais experientes nesta fase. Com 31 anos, tem experiência da Segunda Liga e Campeonato de Portugal. Já vivenciou muito nos relvados portugueses e por onde passa… deixa saudades.

Com as vivências que adquiriu e que lhe foram moldando a forma de defender e encarar o jogo, é um guarda-redes seguro, estável e de índole mais defensiva, que lhe leva a ter mais decisões eficazes pela redução do risco de erro. E dentro dos postes, tal como no 1×1… é fantástico. Explosivo, com boa noção dos apoios (quando fixar e para onde devem estar orientados) e capaz de defesas fantásticas. Domina todos os princípios mecânicos na defesa do 1×1, por exemplo: de quando deve fixar, tal como o melhor local para tal, como deve fechar ou abrir ou corpo, como colocar as pernas e braços, etc.

Um guardião com muita eficácia, depende muito da sua predisposição física para encarar da melhor forma o jogo. Comunicativo, de processos simples, é um líder em campo e alguém que é um porto seguro para toda a equipa. Para ser mais completo, precisaria de mais envolvimento no jogo ofensivo da equipa, quer seja em movimentos fora da área para a defesa estar mais subida, tal como ser um maior auxílio com os pés – seja algo proactivo da sua parte ou pedido pela equipa técnica. Até para a equipa ser mais versátil na abordagem ao jogo. Mas tudo o que faz, normalmente, é com qualidade. E isso, por si só, já é uma grande adição. Pelo menos é a garantia que erra pouco e não cria dificuldades à equipa. E a qualidade na defesa de penaltis, como em muitos que já apontámos por estes artigos… pode ser um factor de desempate caso chegue a esse desfecho.

 

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Nelson Pinhão – Vilafranquense

O guardião português de 1.80m e 25 anos de idade, acabou o último jogo da fase regular a sair a dez minutos do final com uma lesão num músculo. Resta a dúvida se irá começar este playoff a titular, mas será dele que falaremos porque fez quase toda a época.

Talvez o guarda-redes mais tradicional neste playoff. Simples, de movimentos curtos e um raio de acção reduzido, retira profundidade na altura do remate para ter mais tempo de ler a trajectória da bola e reagir ao remate. É um guardião puramente reactivo e que não se aventura em acções onde possa ficar em risco, tal como colocar a sua equipa em apuros. E ele, com a defesa da equipa, funcionam na perfeição.

A sua equipa não funciona com linhas muito subidas e, como tal, ter um guardião mais simples e defensivo pode ser um bom complemento. Toda a defesa, do meio campo para trás, é bastante simples a defender: a intenção é não complicar o processo de alívio e a construção também não envolve uma equipa mais recuada a sair a jogar, preferindo jogar na referência ofensiva.

Nelson que há poucos anos conseguiu na Taça de Portugal brilhar pelo mesmo clube contra o Sporting CP, é o mesmo guardião que era na altura – com a diferença na maturidade das suas acções – percorrendo uma linha coerente de alguém que não entra por caminhos que não conhece e que todas as acções que faz são de risco reduzido de “correr mal” na teoria. Dá mais tempo ao avançado de decidir na sua cara, mas sabe reagir com prontidão a tais estímulos. Procura muitas vezes o contra-ataque de forma rápida em largura, quando agarra a bola, obrigando a equipa adversária a recuar linhas porque tem um pontapé forte.

 

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Rafa Alves – Vizela (vs Vilafranquense)

O gigante guardião do Vizela, de 1.90m e 25 anos de idade, é o dono de uma das defesas menos batidas de Portugal nos campeonatos profissionais seniores. Ele e Cajó, que fez a primeira metade da temporada.

E olhando a como joga, entende-se o bom trabalho que é feito com ele especificamente e que dá confiança e rendimento à equipa, pois é alguém que domina muitas componentes de um bom guarda-redes semi-profissional. Equilibrado, focado, ágil e com boas decisões, tendo apenas alguns problemas no momento do bloqueio a remates, sendo este um contexto mais técnico que precisa de melhoria. De posicionamentos curtos, sabe movimentar-se mediante o lado da bola e reagir quando necessário aos estímulos. Não se aventura em posicionamentos mais altos com a bola descoberta, mantendo uma posição relativamente baixa, mas sabe quando deve aproximar/atacar para evitar perigos maiores. Sempre bem fixo, bem equilibrado e pronto para responder. Contudo, precisa de melhor estímulo na tomada de decisão, faltando perceber as vantagens de tomar mais decisões em jeito de antecipação, ao invés de saber reagir (que fá-lo de forma segura e eficaz).

Com o pé preferencial esquerdo, é o primeiro a tocar na bola na construção. E sabe acalmar a equipa e jogar bem com esse pé. Com uma equipa mais pressionante a jogar contra si, tem uma reposição capaz de colocar para as laterais para contrapor. Mas puxa muito pela construção desde trás, principalmente quando não há pressão mais alta, dando sempre as coberturas necessárias e alternativas de passe para rodar o centro de jogo. Não sendo muito proactivo na comunicação verbal, a sua comunicação mais corporal é percebida pela equipa e estão sempre em perfeita sintonia. É também um guarda-redes coerente e estável nas emoções, tal como na gestão das mesmas, ao longo do jogo. Introspectivo, fica no seu canto sem comprometer. É um guardião fiável.

É um exímio defensor de penaltis, como muitos nestes artigos já referidos nesta fase, sendo uma boa arma caso seja necessário nas eliminatórias iniciais… como numa possível chegada à final.

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