De Gea: O uso do pé para defender. E o bom e mau uso

Era um dos jogos mais esperados desta semana e que interessava a Manchester City e Liverpool, na grande luta pelo título de campeão inglês. O jogo era o “derby” de Manchester, contra o rival United, e o City venceu no campo adversário por 2-0.

De Gea teve um momento que nos deixou a reflectir sobre o bom uso dos pés para defender (que ele costuma dominar) e o mau uso, e quando não se pode usar sob pena de criar dificuldades para a sua acção defensiva. A perna/pé não pode ser a parte dominante de um GR no momento da defesa, na maioria dos casos. Mas sim um recurso. Ora vejam o video:

Vamos passar à frente da horrível organização colectiva do Manchester United nesta transição defensiva. Vamos fingir que isso não aconteceu… e portanto a análise ao lance vai ser no seu ponto final, porque é onde estão as boas lições para se retirar na temática do guarda-redes, em vez do caminho até esse momento.

De Gea está bem posicionado, fazendo os devidos ajustes de posição desde o homem que passa ao que remata. Tudo aceitável. O problema está no corpo e como o usou para tentar evitar o golo.

Temos de partir de um ponto e conclusão: no mundo inteiro, ao alto nível, existem poucos guardiões a saber defender tão bem com os pés quanto De Gea. Muito poucos. E isso confere-lhe uma vantagem mecânica se souber potenciar isso, porque numa bola rasteira perto de si vai conseguir responder rapidamente com os pés e com eficácia, em vez de cair com o corpo e defender com os braços, pois este último movimento demora mais tempo. Mas isto é numa bola rasteira, com trajectória mais definida e linear. E numa bola a uns palmos do chão, faz sentido usar o pé/perna? Não.

No momento do remate De Gea fixa e coloca o peso do seu corpo para trás. Já estaria na sua cabeça que ia responder àquela bola com a perna e deixou o corpo cair ligeiramente para o movimento ser mais fácil de responder com a perna? Isto foi um problema porque a trajectória não vinha bem definida, em força e no movimento em direcção à baliza, e com o corpo a descair e a defender com a perna… é difícil criar zona de impacto para defender com a perna. A superfície de toque na bola é menor e o controlo do GR na acção é igualmente menor.

Pernas muito distantes, peso do corpo colocado na bacia. Corpo desequilibrado para uma bola colocada ligeiramente fora do raio de acção por si ocupado.

E foi o que aconteceu. Colocando o corpo equilibrado ou ligeiramente para a frente, iria estar mais preparado para reagir com os braços. Não era uma bola para defender com a perna, dada a distância da bola, a sua altura e a trajectória irregular e forte. Perdeu o controlo do lance. Talvez não esperasse uma bola tão forte e irregular e foi uma acção de recurso… mas tudo parte do seu desequilíbrio corporal.

Perna à frente do braço e o tronco longe da bola. Acção de recurso ou premeditada? Só ele pode dizer… O corpo indicava que não estava preparado para uma bola mais distante de si.

Há o uso das pernas/pés para defender, principalmente o membro mais inferior do corpo. Útil para remates rasteiros e com pouco tempo para analisar e reagir. E há o mau uso, como por exemplo, a bolas com trajectória indefinida, e acima do solo, é muito complicado responder com a perna. O corpo tem de estar à frente da bola, principalmente no tronco, e aqui – pelo visto na última imagem – está distante dos membros que respondem em sincronia (errada) com a perna a levantar à frente da mão à bola.

Temos de saber usar os nossos recursos, sabendo que o objectivo é sempre manter a baliza inviolada. E para isso é preciso minimizar os riscos nas nossas acções na baliza.

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  • Gonçalo Xavier, Fundador e Gestor d’A Última Barreira
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