Expulsão Renan: O guarda-redes quando fala, é soberano. Mas não pode ser passivo depois…

– A passividade e a comunicação como pontos basilares. Mais que a interpretação especial.

À primeira vista parecia um lance de inépcia e má interpretação do espaço. Mas foi além disso, não sendo esse o problema chave no lance: Entroncou na comunicação e a não acção perante a mesma. Uma divergência acentuada do que se comunica (“é minha”, ou “deixa”) e da acção (passiva de deixar a bola chegar apenas).

Renan no momento do passe no espaço está com um posicionamento perto da linha da grande área e central. Bem posicionado a um possível estímulo no espaço num passo, neste caso, a meio do meio campo defensivo do adversário. O lance, para o espaço, foi para uma zona confortável para o defesa mesmo com a oposição a chegar. Zona essa que é o limite da área e de perigo para o guardião. A imagem seguinte ajuda a suportar (como base e uma imagem ilustrativa, não aplicada ao lance em questão) as zonas mais ou menos perigosas para um guardião e defesa num controlo da profundidade:

Contudo, Renan movimentou-se e comunicou com o seu defesa. Vê-se claramente o corpo do guardião a indicar esse pedido tal como se ouve a verbalização. E Mathieu deixou para o GR. Como tal tinha de ser mais proactivo na conquista da bola. Antecipar e aliviar, p.e, e não esperar pela mesma... Esta zona até pode ser apenas do central. Mas a partir do momento que o GR comunica, a culpabilidade ou ónus da responsabilidade passa para si. Foi um problema de comunicação que não teve uma acção. Aliás, teve… mas foi uma acção passiva (espera) em vez de activa (ataque).

Tudo o resto é já um lance descontrolado pelo GR e uma acção com menos nexo cognitivo. Foi para si imperativo que naquele momento o adversário não podia fazer golo e como tal tentou rapidamente o desarme. Se querem analisar, foquem-se no momento após o passe até à tentativa de agarrar de Renan na área. Não se foquem no resultado final porque foi uma consequência nefasta de uma acção antes pouco conseguida.

Um GR que comunica bem, com os colegas, e nos tempos tempos certos, conseguindo ter acções que sejam de sucesso e que converjam para essa comunicação, é um GR mais preparado para o sucesso. E que gera mais confiança em campo para a equipa e na bancada para os adeptos. E, nota final… aliviar nem sempre é mau. A procura da acção simples tem muita importância e evita erros.

Análise no nosso Twitter, onde comentamos muito a posição de guarda-redes ao minuto (sigam, por favor):

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