Relação treinador-atleta

A relação treinador-atleta ocorre naturalmente e evolui com o tempo, devendo, no entanto, ser promovida pelo treinador. Essa evolução no relacionamento é benéfica para o crescimento pessoal do atleta, a nível mental e desportivo. O estabelecimento de relações positivas entre o treinador e o atleta, constitui um fator importante de desenvolvimento quer para os treinadores, quer para os atletas. Não chega ser só ser o treinador e o atleta, tem de existir algo mais, uma relação.

As relações treinador-atleta são caracterizadas por respeito, confiança, apreciação e senso de interdependência, por isso são uma característica fundamental para o treino ser eficaz e bem-sucedido. Nesse sentido, os treinadores devem criar deliberadamente situações que proporcionem oportunidades de contacto com o atleta e criem um ambiente que seja genuinamente e constantemente estimulante, solidário e atencioso.

A partir de uma perspetiva prática é importante identificar, resolver e monitorizar o conflito interpessoal dentro da relação treinador-atleta. O conflito interpessoal pode potencialmente levar a atletas ao desinteresse e infelicidade. Constata-se que os atletas mais desconectados, distantes e independentes dos seus treinadores, têm menos hipóteses de ter sucesso na prática.

Em contraste, os atletas que são felizes e têm uma boa relação, têm melhor desempenho. A falta de comunicação, a desconfiança, a existência de objetivos discrepantes, a ausência de definição de papéis claros e as lutas pelo poder, são efeitos devastadores do conflito interpessoal no desempenho dos atletas e dos treinadores.

Um treinador sensível, que transmite apoio e tranquilidade, permite que os seus atletas façam parte das suas próprias ideias e ideais desportivos e, por sua vez, permite que os atletas “construam” relacionamentos de qualidade ou ligações com os treinadores que são capazes de gerar emoções positivas, incluindo interesse, felicidade e zelo.

Os treinadores possuem uma posição de influência significativa nos jovens desportistas, sendo vistos como especialistas e modelo a seguir pelos jovens participantes. O número de interações dentro do contexto desportivo por parte dos treinadores é maior comparativamente com outros agentes influentes, como pais ou outros responsáveis, e a sua influência é forte. O papel do treinador não deve centrar-se só em formar o atleta desportivamente, mas em formar um Homem para a vida.

O desporto não deve consistir apenas no desenvolvimento desportivo, mas também no desenvolvimento humano. Assim, os treinadores têm um papel fundamental na vida futura dos seus jogadores e este deve ser o mais positivo e determinante possível, a relação treinador-atleta estará na base do sucesso ou insucesso neste papel que nem sempre é fácil.

É importante os treinadores possuírem conhecimentos ao nível da interação interpessoal e intrapessoal e da matéria especifica profissional para facilitar o aumento dos comportamentos de liderança, o que resulta na facilitação de relacionamentos mais favoráveis entre treinador e atleta. Uma melhor compreensão da gestão de conflitos fornece um recurso que permite aos treinadores melhorar a qualidade das suas relações desportivas e, assim, aumentar as suas áreas de intervenção, uma vez que elas se relacionam com o desempenho e a satisfação dos atletas.

O treinador e o atleta são um aspeto central no treino e um percursor fundamental na prestação do atleta, a sua relação deve ser vista como um aspeto a ter em atenção quer no trabalho com jovens, quer no rendimento. Nos jovens como uma entidade de formação desportiva e humana, no rendimento como a potenciação ao máximo das capacidades dos seus atletas. Afinal o nosso intuito é apenas que os nossos “meninos” sejam felizes, bem-sucedidos e melhores dia após dia.

Bruno Pereira – Treinador de GR Juniores A do Alverca

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