De Varela a Odysseas. Do erro em erro para as (des)comparações e a sua injustiça

Vamos escrevendo ao longo do dia, com mais ou menos pormenor, no nosso Twitter (porque é que ainda não nos acompanham por lá? Sigam então nesta hiperligação) sobre diversos temas. Hoje fomos, com base no erro grave de Odysseas Vlachodimos na noite de ontem no empate a 2-2 contra o Belenenses SAD, falar sobre o problema das comparações. O presente para ajudar a compreender o passado.

As comparações e os seus problemas…

A problemática da comparação: Na vida vivemos de comparações constantes. E muitas delas sobe premissas distintas que podem gerar conclusões pouco suportadas. E são mais emocionais que racionais. Bruno Varela no pós Ederson. Odysseas pós Varela. Ambos com motivações e resultados distintos. Qual o problema que gera? Geram-se assim problemas claros de expectativas. Varela era, em tudo, diferente de Ederson. Aliás, Odysseas, Zlobin, Svilar, Fábio Duarte (…) também o são. Como tal, para não se incorrer de conclusões erradas, não se pode exigir a um… o que era o outro/anterior.

E esse problema da comparação é algo que acontece recorrentemente. Seja internamente, que se espera de uma forma mais racional, ou externamente do foro mais emocional “Mas o Ederson metia a bola no avançado na área contrário”. Sim, mas poucos no mundo o fazem. Não é de replicar por qualquer um…

A análise… do individual ao integrado, até ao contexto:

As análises têm de ser feitas “per si”. Do foro mais analítico ao integrado. O contexto ajuda/prejudica o rendimento mas não pode ser um facto isolado para justificar X teoria. E muito menos a comparação… sob bases diferentes. É ilusória/enganadora quando a base é algo bom/mau.

E a percepção da baliza encarnada após Ederson e Oblak (que já tínhamos falado aqui, em 2017: ) vai gerar sempre problemas para quem vier a seguir. Svilar, Varela e agora Odysseas são/foram vítimas disso. E os próximos até chegar alguém superlativo de forma indiscutível. Estes não são maus guarda-redes. De todo. Todos eles diferentes mas com boas capacidades e por moldar.

Mas o SL Benfica, em plena senda de procura de regressar ao título nacional, pode dar-se a esse luxo de maturar atletas com erro/sucesso com a competição a correr com alta exigência? Daí a paciência ser curta dos adeptos aquando dos erros pela procura do imediatismo.

Passado o contexto, o individual. Bruno Varela vs Odysseas:

Nem Odysseas é tudo aquilo, hoje, que pintavam há umas semanas… nem Varela não era tão pouco como pintaram no ano passado. Ambos sofrem da comparação, para o bem e mal, do antecessor. E isso vai além das capacidades individuais. É no meio, no equilíbrio de forças, que estará a verdade além da emoção.

Varela é muito bom na defesa de baliza e no 1×1. Características que, por si, não chegam para um GR de um “grande”. Nos aspectos mais tácticos tinha dificuldade e estava a melhorar nos últimos meses de competição no ano passado. Faltava estabilidade mental também e o devido reconhecimento dos adeptos. Nunca foi consensual… e isso pesa.

Já Odysseas, mesmo com o rendimento intermitente, tem posturas mais simplistas, no posicionamento e acção. Muito mais defensivo, expõe-se menos ao erro (e só por aí dá logo uma percepção de consequência do erro diferente). Igualmente bom no 1×1 e baliza. Mas… no que se pede a um GR de SL Benfica, tem igualmente a distribuição débil e pouco domínio do espaço, seja pelo ar ou chão. Como tenta menos vezes esse tipo de acções no espaço, tem menos erros ao olho comum. Varela expunha-se um pouco mais.

Em suma, são dois guardiões com potencial se bem trabalhados e estabilizados mentalmente. Mas pouco maduros/completos para a exigência do momento. Varela no ano passado e Odysseas esta época. Vão rapidamente do óptimo ao menos bom. E a consistência é a chave num clube grande.

A lição é, olhar a contextos sim… mas juntar a isso as características individuais do atleta. O rendimento vai ser afectado pelo que é e por onde está. A análise tem, sob pena de ter pouco fundamento, de ter este suporte multi-dimensional. Não podemos é extremar. E isso ainda acontece… e muito…

 

 

 

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