#13 À conversa com… Tiago Silva (Vitória SC)

1. Primeiro que tudo obrigado por teres aceite o nosso convite para esta entrevista. Para começar gostávamos de saber o porquê de seres guarda-redes? O que te levou a pensar que podias seguir este caminho?

TS: Desde pequeno, sempre tive um fascínio pelo futebol e em especifico pela posição de guarda redes. Inicialmente era apenas por diversão e por gostar bastante de desporto e de actividade física porém, com o passar do tempo, fui começando a acreditar que seria possível ter uma carreira futebolista. Hoje, apesar da minha ainda curta carreira, sinto-me muito satisfeito com o que fiz até aqui acreditando que, com trabalho e dedicação, poderei ir mais além.

2. Qual o teu percurso (porque clubes passaste, em que épocas e durante quanto tempo permaneceste nesses clubes)?

TS: Iniciei-me na baliza com 7 anos num torneio de futsal no CDR Fogueteiro juntamente com o meu irmão e num escalão muito superior ao que correspondia a minha idade.

Ainda no mesmo ano, joguei federado no AC Arrentela onde estive cerca de ¾ meses.

Daí, e de certa forma inesperada, surgiu o convite para ingressar as camadas jovens do SL Benfica onde fiz todo um percurso de que me orgulho, tendo ali permanecido durante 8 anos.

Após esse período, abracei um novo desafio que me obrigou a sair da minha zona de conforto e me aventurar numa viagem até ao Norte.

Foi na Vila das Aves, ainda no meu 1º ano de juniores, que tive a oportunidade de vivenciar novas experiências tanto como jogador como homem, numa época muito gratificante que me permitiu chegar ao grande clube que hoje represento, o Vitória SC. Independentemente do que possa ainda a vir acontecer esta é já a minha melhor época de sempre.

3. Como te caracterizas enquanto guarda-redes?

TS: É sempre uma autoavaliação difícil de fazer. Contudo, entendo ser um guarda redes de estilo moderno devido ao meu bom jogo de pés. Considero-me também um guarda redes com boa capacidade de reação e, na generalidade, muito seguro entre os postes e fora deles.

4. Como te caracterizas pessoa, quando tiras as luvas e chuteiras?

TS: Fora dos relvados nunca abandono a condição de jogador, tentando ser sempre disciplinado no que toca ao descanso e a alimentação. Considero-me ainda uma pessoa alegre e bastante positiva. No dia-a-dia procuro ser com os outros aquilo que desejo e quero que sejam comigo. Sou amigo do meu amigo.

5. Olhando para o treino: que tipo de treino preferes? Mais físico e específico ou mais integrado com a equipa?

TS: Tenho consciência que todos os diferentes métodos de treino são importantes para a minha evolução. No Vitória SC tenho um plano de treino que, de forma equilibrada, me permite trabalhar as 3 componentes referidas tendo como preferência o trabalho conjunto com a equipa por ser o mais aproximado do que é o jogo.

6. Qual o melhor momento durante a tua formação desde o futebol sete até ao último ano de Juniores?

TS: Como já referi anteriormente, esta época tem sido claramente a melhor de sempre. Já tenho mais jogos e minutos do que em qualquer outra época sendo ainda júnior e estando a jogar regularmente na Liga Revelação (Sub-23). Para além disso, já tive também oportunidade de ser convocado pela equipa B estreando-me nas convocatórias da LEDMAN LigaPro.

Mas sinto que ainda há muito para conquistar esta época e quero continuar focado e comprometido com o meu trabalho. Quero continuar a ajudar a equipa no Campeonato da Revelação e tentarmos conquistar a Taça de Portugal Sub-23. Para além disso ambiciono estrear-me na 2ª Liga e ainda ser um dos escolhidos para representar Portugal no Europeu de Sub-19. Esse é o meu desejo e o meu foco.

7. Como está a ser a tua experiência no Vitória SC?

TS: Está a ser um experiência fantástica. No Vitória tive a oportunidade de realizar um dos sonhos de criança, assinar o meu 1º contrato profissional. Fui muito bem recebido por toda a gente, é um clube bastante organizado que me dá todas as condições para fazer um bom trabalho e continuar a evoluir. Tem uma massa adepta muito vibrante mas igualmente exigente o que nos motiva trabalhar dia após dia.

8. Como é seres chamado a seleção nacional?

TS: São momentos únicos. Representar as cores da bandeira Nacional é uma honra e um privilégio. É um objectivo que vou continuar a perseguir enquanto for jogador. Trabalho todos dias para estar sempre entre os melhores.

 

9. Já falaste um pouco das tuas virtudes… mas onde pensas que terás de melhorar?

TS: A condição de um guarda redes de alta competição é trabalhar todos os dias de forma a aprimorar todas as técnicas inerentes à posição. Reconheço que tenho de continuar a trabalhar para continuar a evoluir.

10. O que achaste da criação da liga Revelação por parte da Federação Portuguesa de Futebol, que estás a ter bom proveito para a tua evolução?

TS: Esta iniciativa é uma aposta ganha. É um campeonato muito competitivo, com muita qualidade que permite que os jogadores jovens tenham uma visibilidade maior. Para além disso, cria um patamar entre os campeonatos profissionais e os escalões jovens o que permite também que os jogadores possam chegar mais preparados ao plantéis principais.

11. Achas que com a chegada desta nova categoria será mais fácil fazer a transição de Juniores para Seniores?

TS: Sem dúvida. A criação deste campeonato veio permitir que os jovens jogadores joguem a um ritmo elevado e mais próximo daquele que se pratica ao mais alto nível. Como referi estaremos todos muito mais próximos de chegar a um nível superior.

12. Tens alguma superstição antes de entrar em campo?

TS: Tenho por hábito, enquanto me equipo, ouvir musica de forma a relaxar e entrar mais concentrado e focado para o jogo.

13. Quais os guarda-redes que tens como ídolos?

TS: Desde criança que tenho uma admiração muito grande pelo Gianluigi Buffon. Enquanto guarda redes admiro também Jan Oblak e Ederson Moraes. Tenho igualmente como referência o guarda redes Miguel Silva por tudo aquilo que representa no Vitoria SC, em termos de formação, e especialmente pela forma como conseguiu, tão jovem, chegar a equipa principal. É aquilo que também tanto ambiciono.

14. Como achas que deve ser o treinador de guarda-redes nos treinos?

TS: Até hoje tive a sorte e o privilégio de trabalhar com pessoas muito profissionais e empenhadas. Cada um com o seu estilo e diferentes formas de trabalhar procuraram, sempre, transmitir-me os melhores conselhos e ensinamentos para a minha evolução enquanto homem e guarda redes. O que aprecio mais num treinador é a sua sinceridade e capacidade de me motivar todos dias para trabalhar mais e melhor.

15. Quais as pessoas que, se pudesses, voltarias a trabalhar ainda hoje?

TS: No geral, todos aqueles com quem trabalhei deixaram-me com alguma saudade. Sei que sempre quiseram o melhor para mim e por isso estou-lhes grato. Neste momento, tenho sentido uma enorme evolução nas minhas capacidades que se deve à grande qualidade do trabalho que é desenvolvido pelos treinadores do Vitória SC.

16. Como é a competitividade entre vocês guarda-redes para assumir a titularidade nos dias de jogo?

TS: É uma competitividade muito boa e positiva porque nos obriga a trabalhar sem perder o foco. Isso ajuda a tornar-nos ainda melhores. Devido à proximidade que temos uns com os outros acabamos por criar um espírito de companheirismo grande, ficando assim com excelentes amizades com colegas de profissão.

17. Olhando para o teu percurso até aqui o que mais te deixa orgulhoso? E o que mais te arrependes de não ter feito ou acontecido?

TS: Felizmente, ao longo da minha carreira tenho tido muitos e bons momentos. Destacaria a minha 1º internacionalização pela selecção portuguesa de futebol e, mais recentemente, a assinatura do meu 1º contrato profissional com o Vitória SC. Relativamente aos momentos menos bons foram poucos, felizmente, e deles retirei todos os ensinamentos que certamente me ajudarão a crescer.

18. Onde te vês num futuro próximo?

TS: Ambiciono continuar a crescer e a evoluir para continuar a fazer aquilo que gosto, sonhando com a possibilidade de singrar na equipa principal do Vitória e poder jogar no Estádio D. Afonso Henriques, podendo sentir o apoio dos vitorianos e o ambiente que conseguem criar naquele estádio.

19. Para terminar poderias deixar aqui algum conselho as gerações mais novas de guarda-redes, que também pode ser um conselho a ti mesmo?

TS: Acima de tudo que façam o que gostam, sejam felizes e nunca deixem de acreditar que são capazes de concretizar todos os vossos sonhos. Contudo, tenham sempre em mente que nada acontece sem trabalho, sem sacrifícios e que, em cada dia, temos de dar um pouco mais para atingirmos os nossos objetivos.

Obrigado Tiago pela disponibilidade e, para além da boa conversa, que possas ter os maiores êxitos pessoais e profissionais!

(Entrevista dirigida por Frederico Hilário)

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