Análise: Charles em exibição decisiva no nulo contra o Sporting. A explicação das suas acções!

Charles foi o homem do jogo no Marítimo 0-0 Sporting desta semana. Com algumas defesas que tiveram tanto de dificuldade como de qualidade, evitou males maiores para a sua equipa. Ficam algumas notas sobre as intervenções do guardião brasileiro, muito assentes na qualidade atlética e na forte capacidade reactiva:

1o lance: Retirar a profundidade perante bola descoberta:

Charles percebe que há bola descoberta e entende, pela postura corporal de Bruno Fernandes, que pode existir remate. Com isso, recua imediatamente para retirar profundidade e ganhar tempo de leitura e reacção. Não ajustou a posição em termos verticais (aproximar ou afastar), apenas horizontalmente, para o lado com ligeiros ajustes.

2o lance: Aproximações e reduções ao portador da bola:

Charles, perante uma bola entre espaço/homem (ainda indefinida no destino), faz uma aproximação além da pequena área. Perante um passe para o lado, ajusta e reduz profundidade para ganhar tempo para a possível defesa e cobrir o máximo da baliza nesse espaço. Mesmo que tenha um dos apoios mais recuados e que lhe dificultam a defesa, faz uma bela defesa mesmo assim. Decisões, revisões da decisão, ajustes e defesa.

3o lance: Posicionamento ao primeiro poste para uma defesa de qualidade.

4o lance: A bola descontrolada jogada na referência, a redução em excesso e a força atlética:

Bola chutada para a referência ofensiva central do Sporting (Dost). Os defesas são atraídos à referência e deixam espaço nas suas costas – espaço esse que pode ser ocupado pelo lateral na dobra ou pelo GR.

A bola acaba de ser desviada por Dost para a profundidade. Está muito recuado Charles porque retira profundidade em excesso, tendo um grande espaço à sua frente que podia ser aproveitado pelo outro avançado num espaço “vermelho” para a finalização, ou seja, de grande probabilidade de golo.

Defende a bola porque foi rápido a partir numa bola que não estava controlada e porque atleticamente é capaz desta defesa, em aceleração e capacidade de colocar o corpo para a defesa. A rever o excesso de profundidade no seu posicionamento numa bola descontrolada para não ter que percorrer este espaço todo para reduzir e defender. Se quem recebe o passe estivesse mais perto… seria difícil, perante tal movimento de Charles, parar o lance.

Está com tantas dificuldades no lance que acaba por defender em “tackle”, com a perna, e não com os braços, por exemplo, que seriam possíveis se estivesse mais próximo no primeiro posicionamento.

Sobre este último lance, Charles destaca a defesa dizendo que teve de decidir em milésimos. Claro… a primeira interpretação é excessivamente defensiva (muito recuado) e teve de ir no limite… 

 

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