A profundidade – e o seu controlo – e como, uma boa posição do GR, afecta o adversário

A preparação e análise

Tudo parte da preparação para um jogo e da forma como interpretamos – dentro do mesmo – os estímulos que nos são oferecidos pelos nossos colegas… e pelos adversários. Eu ajo, de determinada forma com mais proactividade, perante X movimento contrário e de forma mais ponderada e calculada perante Y movimento. Vivemos/agimos em reacção a diferentes estímulos, mediante determinados contextos e momentos. A nossa acção é condicionada, sucessivamente, por múltiplos factores, sendo que uns controlamos nós mesmos… e outros não conseguimos tal e, assim, temos é de minimizar danos. Mas muito da acção contrária depende do nosso posicionamento, forma de abordar os lances… dentro do próprio jogo ou pela análise do histórico das ações nos jogos anteriores.

Referindo apenas dentro do jogo, estamos a analisar constantemente – sejamos treinadores, jogadores, dirigentes ou adeptos – a nossa equipa e o adversário. Vamos tecendo comentários mais ou menos formais, de entendimento mais ou menos popular sobre o que vemos.

“O guardião parece estar inseguro, já falhou alguns passes e parece pouco confiante”… 

Somos, na maioria das vezes na análise, mais emocionais e reactivos. Não olhamos, naquele momento, aos constrangimentos do ambiente que é alheio ao jogo por si, ao minuto do jogo, ao estado físico/emocional do jogador e focamos muito na acção final, quase de forma exclusiva. Esta interpretamos e julgamos, sem nos conseguirmos colocar no corpo desse atleta que para essa acção… precisou de um pensamento, mais padronizado ou aleatório e de índole reactiva. Falhando isto, e do ponto de vista analítico, vamos ter uma análise demasiado superficial e pouca rica de conteúdo. Se vamos a fundo da questão até podemos imaginar como, determinada acção, está presente no modelo de jogo da equipa e na sua dinâmica colectiva. Se é repetida ou pontual. Se é bem executada e é apoiada ou se é executada sem apoios. Aí está parte do ouro em que, tendo nós essa informação para trabalhar e explorar, conseguimos ter algo para nosso favor num jogo colectivo. Procurar, constantemente, o ponto fraco do lado contrário. Porque o objectivo do futebol também é ganhar, certo?

Passando ao campo… 

Estamos para isto tudo a considerar que a defesa da sua equipa tem um posicionamento alto, deixando espaço nas costas

A questão é simples, e vai além do futebol. Somos muito afectados, e temos um julgamento precipitado tendo em conta a primeira imagem certo? É o que acontece num campo. Se um guardião vai tendo boas e calmas decisões, o reflexo do adversário vai ser de procurar acções mais complexas para o afectar. Se um guardião não está a reagir a determinados estímulos, qual a nossa tendência? Insistir, e forçar, até dar em algo pois a probabilidade dele reagir a antecipar é maior e, se reage apenas, tem menor controlo do lance do que se fosse proactivo para evitar que o mesmo exista.

É o que acontece na profundidade, com a bola no espaço entre defesa central/lateral e defesas/GR. Se uma bola entrou bem, vamos continuar a forçar até ter uma oportunidade de golo. Se a equipa adversária não se está a adaptar, nem reajusta a esta insistência, continua-se a forçar até dar em algo. É um comportamento humano, buscar o conforto e fazer uso da repetição para obter  sucesso. Se, do outro lado, vir um guardião recuado e a grande distância da defesa… faz sentido, em teoria, procurar esse tipo de jogabilidade. 

Continuando neste cenário, imaginem que um GR tem uma saída fora da área e, naquele caso, erra. Quais são as reacções a este erro? O GR – regra geral – retrai-se, por não se querer expor mais nesse contexto, e o adversário vai forçar o erro. Se estiver confortável no jogo e de si mesmo, e tiver como base uma boa frieza na decisão, o guardião vai repetir se tiver as bases todas cimentadas (cariz técnico e mental, que define os melhores… dos restantes). Perante os erros, só existem duas formas de serem ultrapassados: encarando-os de frente… ou refugiando no conforto.

Este último, muitas vezes acontece, para não existir essa possibilidade de erro, pois uma defesa em reacção, mesmo que dê em golo, após um lance em que facilmente o guardião podia antecipar no espaço, é melhor encarada ao olho comum que uma tentativa de antecipação falhada. Porque não se vai além na análise e olhamos ao imediatismo da acção/golo. Vai de encontro às expectativas que temos de um jogador e do que temos confiança do que ele pode fazer. Se nos acostumamos a que ele reaja apenas, acumulando más decisões na percepção do espaço, quando são acções que podia ter (ataque à bola fora da área, por exemplo quando o avançado não tem a bola controlada), vamos esperar sempre isso dele. E isto, num sentido evolutivo, é redutor.

Se é estimulado – no erro e no êxito – a utilizar esta capacidade para evitar o perigo adversário, vamos olhar com outros olhos para o atleta. É a postura que os diferencia… e que define, tal como a aplicabilidade desta opção táctica. E, também, como queremos usar isso em prol da nossa estratégia. E são geralmente estes, das boas decisões, que são os considerados de “topo” e que os distinguem dos demais. A capacidade de sair do conforto e a procura da decisão de antecipar lances em vez de reagir e dar assim o controlo dos lances ao adversário. Os grandes guardiões controlam os lances em vez de reagir, apenas, a esses. Muitas vezes o simples posicionamento, vai condicionar o adversário e um lance de potencial perigo tem minimizado o risco de golo. É isto que dá também complexidade a um jogo.

Passa muito por este ponto a nossa de defesa do espaço: é uma arma defensiva (no sentido que é uma transição do ponto de vista da defesa) para evitar que existam sequer lances de perigo. É o objectivo de uma equipa, permitir um menor número de oportunidades de golo adversário por um maior controlo do jogo e de todos os seus momentos. E tem de haver uma convergência de ideias e acções para esse ponto. Não podemos ter uma defesa a subir… e um GR a ficar recuado, sem tempo para antecipar um lance no espaço nas costas da defesa. É incoerente e estamos a expor a equipa a situações de perigo desnecessárias. E se um GR não tem essas características físicas ou mentais, na decisão, é necessário ou estimulá-lo… ou protegê-lo (com uma equipa, se não pode estar tão subida, um pouco mais recuada). Um treinador tem ideias que devem ser adaptadas aos seus jogadores ou, pelo menos, parte delas. Porque é o jogador que as executa e precisa de ser estimulado nessa ideia (e claro, treinado) sabendo a influência que tem nesse rendimento colectivo. E muitos nem sabem as vantagens de um bom controlo da profundidade… e outros são estimulados a algo que nem acontece no jogo (porque a equipa joga recuada) e que não tem suporte de decisão – zonas a evitar, formas de interpretar o adversário, entendimento do movimento da defesa na transição defensiva, etc. Tudo deve ser adaptado ao devido contexto…

Em suma, a postura corporal de um GR, e onde está posicionado, influencia muitas vezes a acção contrária. Se um guardião repete sucessivamente, com sucesso, uma saída fora da área, a equipa contrária vai deixar de testar a bola na profundidade, ou se testar… o avançado já não vai com tanta convicção como das primeiras vezes em que é testado. Vivemos de adaptações sucessivas e o futebol não é excepção. É preciso o GR ter a clara percepção de quanto um movimento seu pode ser escrutinado e revertido contra si mesmo, provocando o erro. Os adversários fazem sucessivas análises a todos os elementos da outra equipa… e temos de ser coerentes para a nossa equipa, para saberem como reagimos aos estímulos e coerentes e “firmes” para o adversário, para não dar aso a lances que ponham em perigo a baliza.

Muito do sucesso na profundidade e no seu controlo passa pela interpretação da bola coberta/descoberta no momento do passe, análise da defesa e movimentos da equipa contrária e… o nosso posicionamento. Se perto do limite da área, com uma defesa quase no meio campo de jogo ou se na pequena área… com a defesa no mesmo espaço (e um maior raio de deslocamento). A base de todas as acções é o posicionamento, num guardião, sendo que essa base gerará sucesso a si mesmo… e irá condicionar o adversário. E esta tem, obrigatoriamente, de ser estimulada e trabalhada. Trabalhar o pormenor é uma boa parte do sucesso. E devemos ser, como guardiões, bons influenciadores para os nossos colegas… e maus influenciadores para o adversário, que irá mudar a sua acção mediante a nossa postura/comportamento. Estabilizadores para os nossos e agitadores para o outro lado do campo.

Que o GR através da sua proactividade se proteja de possíveis investidas adversárias ao mesmo tempo que dita novas linhas comportamentais para os adversários – Pedro Espinha

Por Gonçalo Xavier, A Última Barreira 

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