(Análise) “Disparate… que erro de Leno” – É preciso olhar além da acção final: o contexto e a razão

É, talvez, um dos assuntos do momento nas redes sociais, depois da derrota do Arsenal na casa do Southampton por 3-2. O último golo dos “Saints”, muitos dizem ter sido erro de Leno. Não explicam a razão, apenas que voa e não chega à bola. Algo vago. Se calhar precisamos de ir mais a fundo na questão para se entender várias coisas como o contexto (pois agimos mediante contextos) e a razão para a saída àquela bola… que ninguém garante que não daria golo se ele não se saísse. Mas já lá vamos…

Eis o lance:

Defesa batida, após um contra-ataque, e um cruzamento que pede uma entrada forte do colega para cabecear. Leno sentiu necessidade de se sair à bola, evitando que existisse remate numa zona de difícil defesa, mas mais que isso… agiu mediante várias razões, a ver:

Um dos grandes motivos é a confiança que ganhou depois de uma defesa inacreditável, menos de 10 minutos antes deste lance sofrido, ora vejam:

Costuma-se dizer que a primeira defesa de um guarda-redes pode definir o seu êxito na partida. Aqui é exactamente o mesmo princípio de aquisição de confiança e ganho de adrenalina, pois “galvanizou-se” após esta gigante intervenção. Mas ainda existe outro contexto a ajudar a uma decisão de saída naquele cruzamento do 3o golo…

Os outros dois golos sofridos tinham sido, curiosamente, de cabeceamentos vindos de cruzamentos. Ou seja, ainda evitou outro lance (como na defesa em cima) neste contexto e o lance do último golo era, novamente, com os mesmos pressupostos de cruzamento e cabeceamento. Alguém, confiante, e tendo por base este histórico, é normal tomar uma decisão de saída em antecipação para evitar outro remate numa situação que a equipa do Arsenal, defensivamente, estava a sentir dificuldades.

Passando o contexto à análise técnica específica, ele faz o deslocamento com o primeiro apoio cruzado, ou seja, o pé de apoio do lado da bola é o primeiro que dá o passo – ajudando a um maior alcance e rapidez nos passos dados – e desloca-se em diagonal para atacar em voo o ponto mais alto da bola. Não é uma bola, de todo, fácil e ele tomou a decisão em tentar antecipar pelos factores descritos em cima. Pode-se questionar se devia ter ido a uma mão apenas ou a duas, se podia ficar na baliza e esperar pelo remate (que pelo histórico neste jogo e pela zona onde podia o adversário cabecear, seria o mais certo que sofresse golo) ou se quando o cruzamento parte ele podia estar mais ao centro, ou se fazia sentido ir com a mão direita em vez da esquerda…

Mas o que é certo que mais vale, em grosso modo, uma decisão a uma não decisão. Apesar de ficar na baliza ser também uma decisão, no final do lance se sofresse golo, iam repetir alto que pela pouca força do cruzamento dava tempo dele sair e cortar o lance. É daqueles momentos que o guardião tem muito mais a perder que a ganhar, ficando na baliza ou saindo (como fez, com insucesso).

Isto para dizer que, além da expressão popular que não é fácil ser guarda-redes… que isso está personificado neste lance. Qualquer decisão iria ser de extrema dificuldade, seja na reacção a um cabeceamento ou na antecipação para evitar que esse cabeceamento existisse. Principalmente quando o jogo está no minuto 85 e o cansaço físico e mental já se apoderam dos jogadores… 

Antes de se atirar logo com “tem culpas, que horrível decisão” é necessário tentar entender a razão e os contextos que levam a estas decisões. E este lance tem muito “pano para mangas” na análise que, se colocarem à discussão de vários treinadores/guarda-redes, talvez não haja uma convergência na análise. Fica o desafio aos seguidores de comentarem este lance também.

Por Gonçalo Xavier, A Última Barreira 

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