E assim foi. Mais uma vez, o apelidado guardião “Rei Artur”, tomou uma decisão. A decisão que mais custa a qualquer fã de futebol ou fã de um determinado jogador. Provavelmente, das mais difíceis do próprio atleta. Desta vez, o “Rei Artur” decidiu pendurar as suas luvas.

A minha pequena e simples homenagem começou desta forma porque Artur Moraes foi provavelmente o guarda-redes que mais me encheu as medidas até hoje pelo fanatismo que tenho pela táctica e pela tomada de decisão. Tudo na vida é discutível e foram poucos os que encontrei até hoje que partilham da mesma opinião que a minha, mas Artur Moraes foi um dos guarda-redes que mais admirei até hoje.

Confesso que não o conhecia até chegar ao Braga. E no Braga apenas apareceu após um entusiasmante Felipe sair de cena. Mas entrou outro homem que começou a encher as medidas com as exibições que rubricava. De tal forma, que apenas com meia época de jogo efetivo, ingressa no Benfica na época seguinte.

Muitos dirão “a seguir ao Roberto, qualquer um ia brilhar”. Mas é aqui que reside, na minha singela opinião, o que diferenciou Artur Moraes da crítica fácil:

A primeira época que o Artur Moraes presenciou o Benfica e o futebol português foi das melhores coisas que já vi na vida. Um guarda-redes que conhecia o jogo como poucos. Um guarda redes de posicionamentos minuciosos. Um guarda redes em constante ação durante 90 minutos, 1 metro à frente, 1 metro atrás, ligeiramente mais baixo corporalmente, ligeiramente mais alto. Tudo em função da bola, do adversário, do colega de equipa, dos comportamentos coletivos defensivos e ofensivos, do espaço. Um guarda redes que dava pontos e segurança a todos. Que brilhou em palcos como Old Trafford. E taticamente, algo que me maravilha e que é diferenciador entre o bom e o excelente: no futebol português, até à data, nunca tinha visto um guarda-redes ganhar tanta bola em contexto de cruzamento, independentemente da zona da área em que a bola caísse. Desde que tivesse condições de ganhar a bola, o “Rei Artur” ganhava!

Não sei quem ganhou mais com a capacidade que o Artur Moraes demonstrava. Se foi o Mister Hugo Oliveira que transmitiu saberes de excelência ao Artur ou se foi o Artur a transmitir vivências de excelência ao treino do Mister Hugo Oliveira. Assim, arrisco-me a dizer quase com certezas absolutas que ambos ofereceram muito um ao outro, apaixonados pelo jogo! Ambos ganharam!

E a seguir eu tenho uma certeza absoluta. O Artur Moraes ofereceu-me muito na paixão pelo jogo, na paixão pelo treino e na paixão pela minúcia. Escuso-me a escrever uma linha sobre fases menos boas do Artur Moraes que ocorreram à posteriori. Muito já foi escrito sobre isso, de forma justa ou injusta.

Termino, referindo que a frase mais comum de se ouvir é a última imagem é a que fica. No meu caso, com o “Rei Artur”, acontece totalmente o inverso: a primeira imagem é a que fica, para sempre. Um guarda-redes que, no seu auge, para os mais atentos… foi top mundial!

Obrigado pela referência que te tornaste. E parabéns pela tua carreira de excelência que agora finda. Que muitos olhem para ti com o respeito que mereces!

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