Análise: A melhoria no 1×1 e a indecisão a remates exteriores. Odysseas em Chaves

Para se entender a razão desta publicação é preciso rever que um guarda-redes está sempre em evolução, em melhoria contínua, e que de jogo para jogo pode ir corrigindo um ou outro pormenor em determinado contexto de jogo e piorar noutro, porque a quantidade de estímulos que recebe de um e de outro podem ser diferentes ao longo do processo de evolução, que pode diminuir ou aumentar a propensão aos erros.

Se podemos apontar uma certa evolução no 1×1, principalmente com a bola dominada pelo jogador contrário, é porque existiu um histórico de acções menos correctas antes, tal a quantidade de lances nesse contexto que já teve de enfrentar, que hoje podemos apontar – pelo menos por esta acção de muito sucesso – que existiu melhoria. (ver aqui artigo sobre isso)

A defesa muito boa no 1×1. Carregar na imagem para ver o resumo.

Neste caso, do 1×1, o que se apontava era o facto de virar a cara quando o momento do 1×1 é feito e o corpo não proteger muito a baliza. O momento de leitura do lance, aproximação ao avançado que se prepara para o remate e gesto técnico típico do 1×1: braços abertos, tronco equilibrado e pernas a proteger os cantos inferiores – uma , esticada, no 1o poste e a outra perna em flexão. Bela defesa e uma clara evolução neste sentido!

Ora, se hoje podemos talvez criticar a postura ontem a remates exteriores, estes podem ter imensas causas mas o histórico de êxito nestes lances é que causam a impressão que ele não esteve bem. No caso é falta de estímulos e o excesso de confiança pela forma como o jogo lhe estava a correr, de feição no caso. Estava a parar praticamente tudo e isso faz crescer em si a confiança.

Em ambos os golos, apesar de momentos diferentes da partida, tiveram muitos problemas.

No primeiro, do golo de livre, coloca dois homens na barreira (sem se perceber as suas funções: estariam a cobrir o quê? O remate em jeito do batedor, quando pelo seu histórico remete mais à força que ao jeito no remate em bola parada ofensiva?) e abre uma cratera no meio. O excesso de confiança pode ser uma justificação e pode-se aceitar – a tal distância – uma defesa de baliza sem barreira e um posicionamento central. Mais que aceitável. Se fosse o caso, os dois homens na barreira não faziam sentido naquela forma porque só estão a limitar um tipo de remate e não o destino do mesmo. Mais para dentro, ao centro, poderiam ser a garantia que Odysseas queria: remate para o seu lado direito e assim controlar o mesmo.

Portanto, além da ambiguidade no pensamento, ainda dá um apoio para o lado contrário que o fizeram perder tempo na reacção ao remate. E ele não costuma, de todo, fazer este apoio em falso. Onde fixa, é onde parte para o deslocamento e voo. Estas indefinições não são de todo a sua índole e neste lance criaram mesmo o desfecho indesejado: o golo.

Mas se fosse apenas este lance…

No lance do empate, já nos segundos finais de jogo, ele tem novamente um apoio em falso antes do remate. Num remate exterior, na diagonal, vindo de uma das pontas da área, ele volta a dar um apoio para o lado contrário e sofrer do outro lado. Estes apoios por vezes, para guarda-redes habituados aos mesmos, dão o estímulo e a força certo para partir e reagir com qualidade no lado contrário. Mas, repetimos, Odysseas não costuma fazer este apoio ao lado contrário mas sim fixar num ponto e partir para a acção de seguida. Custa a crer que tenha tido, neste jogo, estas indefinições quando o jogo antes do primeiro golo até lhe estava a correr de feição.

Exemplo de um bom gesto, sem hesitações e a fazer um deslocamento perfeito para a defesa final (este é um grande exemplo de como as coisas podem, e devem, ser feitas num livre, apesar de ser diferente a zona e o remate).

Uma crítica ao lance do segundo golo, em jeito de desculpa perante o lance é a de ele não esperar o remate dali. Ora, se não esperasse, não fazia o apoio ao primeiro poste (protecção ao mesmo para remate).

Odysseas Vlachodimos é, ainda, um guarda-redes a ser maturado. Apresenta qualidades, principalmente – é um elogio da nossa parte – à forma como está sempre equilibrado nos lances, seja num passe atrasado ou num remate no 1×1 ou exterior, mas existem, claro, pormenores a terem de ser tidos em conta nesse processo de evolução para a sua melhoria. E esse vai com estímulo, com erro, e a melhoria após os mesmos. É alguém que ainda não teve os estímulos na sua carreira, pela menor exigência nos contextos em que estava inserido, como está a ter em Portugal. E o seu acompanhamento neste processo poderão ditar, ou não, o sucesso das acções e a sua maior valorização como guarda-redes. Mas ainda se está a maturar, é preciso encontrar os porquês de determinadas acções e a partir daí o sucesso estará mais perto, pois ele possui essas qualidades para tal.

Vejam então o resumo do jogo de ontem e, já com isto tudo que escrevemos em mente, concluam sobre este pensamento e análise:

 

Por Gonçalo Xavier, A Última Barreira 

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