Salin: Entrar a frio “num jogo que não era o seu”. O profissionalismo e a competência

Por Gonçalo Xavier, A Última Barreira 

Aqui, n’A Última Barreira, focamo-nos muitas vezes no contexto e na análise técnica/táctica num guarda-redes. Sabendo de antemão que não se podem descurar ambas numa análise, pois estão directamente relacionadas uma com a outra, tendemos a optar por analisar ou mais o contexto, ou mais a parte técnica mediante o que desejamos realçar em determinado momento. A análise técnica tendemos a argumentar com uma análise contextual “ceteris paribus” (ou seja, e tudo à volta mantendo-se inalterado), e na análise contextual o foco é mais no ambiente à volta. E é neste caso que precisamos de separar uma da outra.

Não vamos falar da bissectriz bem, ou mal, feita. Não falamos dos apoios estarem bem orientados. Falamos de profissionalismo num contexto adversário e corresponder dentro do mesmo. Falamos de Salin que, no primeiro jogo oficial na liga portuguesa “pós-Rui Patrício”, foi o dono da baliza do Sporting CP, na baliza que não era sua. E passou a ser numa questão de minutos. E que fez assim a sua estreia na liga portuguesa no clube leonino. Tudo tão confuso, tudo tão rápido…

Viviano ia fazer a sua estreia na liga portuguesa mas, uma lesão no intervalo, tirou-lhe essa possibilidade. Todo o foco, toda a vontade em mostrar oficialmente que era capaz de contrariar as críticas que tem recebido, tanto de duras como de injustas, pelas redes sociais e imprensa desportiva, desvaneceu em segundos. Uma queda ainda no aquecimento, uma dor no pescoço, o desconforto de não estar totalmente capacitado para jogar. Teve de abandonar o relvado sob cuidados médicos, sendo chamado à pressa Salin para jogar (e fazer, repetimos, o primeiro jogo do Sporting com um guarda-redes diferente na liga portuguesa após 10 anos de Rui Patrício, mais coisa menos coisa, e o seu primeiro jogo de leão ao peito no campeonato) e descer Luis Maximiano da bancada para ser suplente. Tudo isto à pressa… e a concentração pré-jogo? Que dura na hora antes, no caminho para o estádio, no acordar para o dia do jogo… até ao último treino antes do jogo oficial? Desvaneceu.

Salin foi a frio para a baliza, de um clube que tem estado em ebulição entre eleições presidenciais, entre escolhas de jogadores, entre pré-épocas mal planeadas, entre expectativas e desilusões, entre substituições e memórias, entre a paixão dos adeptos. E ele foi a sombra de Rui Patrício na época passada… e hoje entrava para o lugar que deixou livre e, na teoria, seria de Viviano ou de Renan Ribeiro, contratado nestes dias. Como vivia de fora Salin isto tudo, ele que até estava apontado à saída?

Bem, colocou as luvas. Teve pouco tempo para pensar. Teve pouco tempo para perceber o que era aquele campo e o que lhe podia dar ou dificultar. Os buracos na relva, o vento, o sol, o local onde os seus adeptos estavam posicionados nas bancadas, o som do seu banco, aquele onde se habituara a estar nos últimos tempos. Era altura de focar rapidamente, sob pena de dar tudo para o torto nesta história tão insólita. Era altura de entrar em campo. De ouvir as palavras dos seus treinadores e os ânimos dos colegas de equipa.

Entrou em campo ainda a pensar que num dia normal seria suplente. Mas estava ele ali, com toda a pressão em cima de si. E pior não podia estar para estreia… um mau início de jogo da equipa colocou-lhe cara a cara com o golo. Uma descoordenação normal entre um guarda-redes com pouco tempo de jogo e um colega de equipa onde os hábitos de saída/fixar são baixos. Na indefinição apareceu o golo. Um golo que podia deitar abaixo um guardião, não aconteceu.

A sorte do golo leonino ter surgido imediatamente a seguir ajudou e, a partir daí, Salin capitalizou com o que mais sabe ser: simples, líder, comunicativo, expressivo. Esqueçamos a qualidade técnica, que já não é a de outrora (é normal, desde que brilhava no Marítimo e no Rio Ave, nunca mais teve essas oportunidades). Foquemo-nos na sua reacção ao golo sofrido e como, em cada saída, mostrava que estava presente. Ele não fez a exibição perfeita, longe disso. Mas esteve focado, deu o que podia neste contexto adverso. E isso é tão, mas tão difícil, principalmente nestes contextos já descritos em cima.

Salin até pode sair amanhã do Sporting. Mas uma coisa é certa: sairá como um exemplo de compromisso e profissionalismo e que tem de ser enaltecido. Incrível…

Podem ver aqui o resumo:

 

SUPORTAR A COMUNIDADE UB A MANTER-SE ACTIVA:

Ajudem A Última Barreira em “Patreon” com conteúdos exclusivos e personalizados à tua imagem/pedido.(clicar no link)

Sigam-nos nas redes sociais:

Youtube: 🔹 https://www.youtube.com/channel/UCSAd_8CbIO9iicMhSuVaPLg

Facebook: 🔹 http://www.facebook.com/ultimabarreiracom

Instagram: 🔹 http://www.instagram.com/ultimaabarreira

Twitter: 🔹 https://twitter.com/UltimaaBarreira

Facebook Comments