As críticas a Gigi Buffon nesta pré-época farão sentido?

A análise ao contexto e a nível individual…

Gigi Buffon, aos 40 anos de idade, vive um dos mais exigentes desafios na sua carreira. Não porque será difícil ganhar a liga francesa no PSG… mas pela intenção do clube chegar ao título europeu depois de avultados investimentos. E Buffon chegou com esse propósito que, apesar de nunca ter conquistado a competição (e ainda procura vencer…), trará a experiência e qualidade na baliza, tal como a liderança de balneários que é necessária em qualquer equipa, principalmente numa de craques.

Ou seja, antes de analisar qualquer exibição de Buffon (e isto aplica-se a qualquer atleta, com mais ou menos exigência e responsabilidade), é necessário falar do contexto em que está inserido e fazer, só após isso, a análise individual. Porque os seus comportamentos, erros ou êxitos, têm de ser falados e analisados à luz destas circunstâncias que afectam o rendimento.

Vejamos… Buffon há quanto tempo não mudava de clube? Há quanto tempo saiu da zona de conforto a nível de clube? Pois, há quase duas décadas quando trocou o Parma pela Juventus na maior transferência do mundo até há poucas semanas. Ele está também a aprender novos métodos, novas dinâmicas em campo e fora dele… ele também está em adaptação e em teste, como há muitos anos não estava. Seria facílimo acabar a carreira na Juventus onde o que ele dizia e fazia era ordem, onde estava confortável e podia errar que não era posto em causa. Mas ele aceitou o desafio de ser um dos mais bem pagos do mundo, é verdade e com isso também a sua responsabilidade aumenta, mas de ir para um clube como o PSG que desespera por um êxito europeu, já que tem conquistado internamente na grande maioria das épocas.

E nesta pré-época do PSG há um contexto ainda maior… o treinador é novo e com isso a equipa tem novas dinâmicas. Ou seja, os atletas que já eram do clube, estão também a ter novas formas de treinar e jogar e também têm de se adaptar a isso. Imaginem agora alguém de fora como estará. Se nem os de “dentro” ainda estão adaptados, é suposto alguém que chega de fora (por mais estatuto que tenha) render em campo de forma imediata? Complicado. E Buffon tem jogado com colegas muito jovens, da base do PSG, e que estão a ser testados ao mais alto nível (apesar de não ser oficialmente, mas com grandes adversários) e não têm correspondido no global. Na equipa francesa quase ninguém está a corresponder nesta pré-época, e estarão ansiosos pelos que vão chegar do Mundial começarem a jogar rápido. É pré-época, é tempo de experimentar, testar, passar feedback e tentar corrigir sob erros ou êxitos.

Buffon ontem é verdade que falhou num dos lances. Pelas redes sociais foram suando críticas ferozes a Buffon e deu a entender que ele tinha falhado nos 5 golos sofridos pelo PSG ontem contra o Arsenal.

Afinal só sofreu 3… 2 indefensáveis e um erro claro (apesar de ir disputar no jogo aéreo com dois adversários, sem apoio da equipa)… E, mais curioso constatar, o que ele foi defendendo no jogo. A partir daqui, analisem pelas imagens dos golos sofridos… e das defesas que fez. E concluam, a partir daí, o que é mais importante salientar. Se é mais importante a nível quantitativo, desprovido de análise, o número de golos que sofreu, ou a forma como evitou outros golos de entrarem e o contexto em que está inserido. Isto também é um problema de expectativas… o PSG recebeu um dos melhores e deve-se comportar como tal. Mas ele também é humano e não é, certamente, imune ao erro.

Os golos sofridos contra o Arsenal:

As defesas feitas contra o Arsenal:

Onde Buffon está a ter mais dificuldades, analisando mais técnicamente o seu desempenho nesta pré-época, é no tempo de saída pelo ar e na forma como se sai. Ele que é um guarda-redes (ou se tornou) mais de defesa em cima da linha, está a tentar sair da baliza nesta pré época com mais frequência e não está a resultar. Por via de maior desgaste físico, normal de pré-temporada, que afecta o mental ao nível da decisão. Este é um ponto que certamente fará, novamente, Buffon recuar no espaço ocupado preferir a reacção à antecipação, principalmente em contexto de cruzamento e no seu jogo aéreo.

Sobre a sua possibilidade de titularidade indiscutível, como muitos pudessem achar, Tuchel falou com qualidade na forma certa para liderar um balneário: Não há ainda um titular (entre Buffon, Areola ou Trapp). E é esta a mensagem que tem de passar, para não perder os outros guarda-redes. E, também, porque sabe perfeitamente que vai haver alta rotatividade entre Buffon e outro guardião, tal como aconteceu na Juventus nos últimos anos. Não faria sentido ele dar um titular indiscutível apesar de todos apontarem o italiano como tal. Ele não fará a época inteira, vai ser usado em jogos de grande dimensão europeia e Areola (em teoria o segundo guardião) irá jogar muito tempo entre taças e campeonato também. No fim da época, talvez fiquem “iguais” em tempo jogado ou algo semelhante. Como tal, a forma de abordar este assunto pelo treinador do PSG foi a ideal para manter viva a competitividade na baliza e rendimento futuro do suplente, que será em teoria Areola. Boa gestão  dos recursos humanos.

 

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