O futuro de Karius, a curto prazo, tem de ser longe de Liverpool, onde a memória se desvaneça e não o traia.

É, talvez, um daqueles assuntos mais sensíveis que podemos abordar pois implicam uma decisão após um erro e o esquecimento dos seus sucessos anteriores. Mas em alta competição, por vezes, não há espaço para a compreensão e espera por um desfecho mais humano. No futebol, por vezes, não há espaço para esses romantismos ou decisões mais racionais, e deixamo-nos levar pela emoção. E este “deixar levar pela emoção” é para o dirigente, para o presidente, para o adepto, para os jogadores, aplicando na mesma proporção a todos. E temos de aceitar estas exigências quando há tanto em jogo…

Sobre Karius, logo a seguir à final da Champions, escrevíamos o seguinte:

Isto num guardião, ainda jovem, que procura afirmar-se entre os maiores. E estes erros podem custar uma carreira… que isso não aconteça. Mais que aguentar mentalmente este jogo, é preciso agora aguentar psicologicamente para o futuro. Vai ser sempre, infelizmente, associado a este desaire. A forma como se vai levantar disto, é que vai determinar o que será como guardião nos próximos meses/anos. E ele tem esse potencial para aguentar estas associações. O que ele já sofreu no Liverpool desde que chegou, fê-lo crescer ao ponto de hoje ter disputado uma final da Champions. Quem sabe se dentro de pouco tempo não terão os adeptos do clube o maior respeito por Karius. Não sabemos e nem ele sabe ainda. Mas foi uma noite muito má para um guardião… que não merecia falhar no maior palco europeu. Artigo de 26 Maio 2018 (ver aqui)

Um erro num jogo do campeonato, se não for decisivo, julga-se mas aceita-se no final, uns dias depois. Um erro numa final da taça custa, mas digere-se uns meses depois. E não um, mas dois, erros numa final da Champions? Marcam uma carreira. E já se passaram 2 meses desde esse jogo e ninguém, mas ninguém, se esqueceu. E a cada jogo que passa de Karius, está isso na memória. É uma imprensa inteira à procura da próxima manchete em tom de gozo, perante um jovem guardião, sobre algo que ele faça de mal (ver aqui as críticas de Iker Casillas sobre o assunto). Mesmo que outros façam pior na actualidade, é ele onde estão os holofotes sobre o negativo. Sobre o mais negativo e onde reside o mais podre do futebol: a incapacidade de se respeitar os atletas e os seus desempenhos e como exponenciam tudo o que é mau mas não valorizam quando acertam (e isto, nos guardiões, é crítico, seja por desconhecimento ou por indiferença).

Perante isto tudo, há alguém que não se esquece mesmo: O próprio Loris Karius. Que, neste início de época, mostra todas as consequências daquela final europeia. E está a ser tudo apontado. E como se sentirá ele quando, antes do erro era o homem forte do Liverpool e de potencial incrível e hoje é tido como dispensável e vê a chegar o guarda-redes mais caro de sempre para o lugar que era seu? Qual a mensagem indirecta que é passada? De desespero talvez… e necessidade de ter o “melhor” para garantir que a final europeia e aquele desfecho não acontecem mais.

Só há uma solução, pois ninguém está a conseguir lidar com isto: a de Karius ter de sair do Liverpool, seja em definitivo ou por empréstimo. Não há outra hipótese sob pena de destruir a sua carreira (onde existe muito potencial ainda). Numa liga distante, fora de Inglaterra, onde a memória se desvaneça e não o traia… onde a sua possibilidade de sucesso seja elevada, até para a auto-confiança nas suas capacidades voltar a aumentar.

E estando ele na lista de dispensados do Pool, como hoje se fala, ou não, é o caminho certo. Há hipóteses de não se perder uma carreira, mas para isso é preciso que se contorne a memória carregada de negativismo nos últimos meses. É dar dois passos atrás, e ter essa noção com humildade, para se seguir em frente. Não há problemas nisso. É assumir que há um problema e que é difícil reabilitar a curto prazo naquele espaço pois a memória irá sempre atraiçoa-lo. Não é um castigo, é uma lição e que terá de ser aceite para se dar a volta da melhor forma: a defender e não num banco de suplentes atrás de Alisson, o mais caro do mundo.

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