A anatomia de uma defesa perfeita… Lloris a caminho das meias-finais do Mundial’18

Hugo Lloris ontem, pode-se assim dizer, que “levou” às costas (e pelas suas mãos) a França directamente para as meias-finais do Mundial na Rússia ao ter feito uma defesa inacreditável, daquelas capazes de desesperar e deitar abaixo uma equipa inteira. E foi isso que fez… e foi isso que acabou por acontecer. E passamos a mostrar… e explicar o que de bom aconteceu ali para culminar numa defesa incrível:

Sem barreira!! (Tão raro)

Inexistência de qualquer barreira… ora aí está algo tão raro nos dias de hoje em contextos profissionais e tão bom de ver. Porquê? Simples. Sem referências além das óbvias para o cruzamento, a equipa francesa jogou no limite da área e com Lloris atento a esse lado apenas (em vez de também se preocupar com o seu outro lado da baliza). Este pormenor deixa logo o batedor “sem hipóteses” e a ter que cruzar para as referências (no caso, Suarez e os três defesas centrais uruguaios). Com esta convergência de atenção, pelo raio de acção adversária ser mais reduzido, Lloris consegue ter mais espaço e tempo para analisar o lance: se deve sair, ou retirar profundidade na linha de golo e reagir ao remate. Foi este último que aconteceu.

O foco

Algo tão “básico” mas tão complexo em contexto profissional pelo grau de dificuldade das acções por maior qualidade do adversário, pela forma como analisam ao pormenor os atletas e pela exigência da massa adepta e directiva. Não é fácil manter o foco e em lances destes é que se podem ganhar (ou perder) jogos e competições. Desde o momento em que colocou zero homens na barreira a tudo o que vamos falar a seguir, nada disto era possível se Lloris não estivesse muito focado no lance e por consequente na partida, de forma a analisar as hipóteses de acções contrárias e as suas também para evitar o golo. Foco e frieza de análise de situação e execução. 

Orientação de apoios.

Apoios orientados sempre para a bola. No cruzamento está para o jogador que está a bater essa bola parada, quando parte para a área, orienta nesse sentido, sempre com a bola como referência máxima.

Retirar a profundidade

Hugo Lloris, como reage muito facilmente, é capaz disto: retirar profundidade, recuando para a linha de golo, ganhando assim mais espaço e tempo para defender cada remate. O que perde em ângulo retirado de remate (se estivesse mais à frente), ganha em tempo e espaço de acção, até para pensar e executar. 

Equilíbrio, fixar apoios, voar

Quando sai o cabeceamento, Lloris está completamente preparado para o remate. Corpo equilibrado, braços livres e paralelos às pernas pronto para a reacção, apoios bem fixos no chão e o voo sai sempre mais fácil assim. Com alguém nestas condições tornam-se movimentos quase naturais e de maior facilidade em defender.

Foi tudo bom desde o início ao fim deste lance, numa das defesas mais bonitas, mais perfeitas técnicamente falando, e também das mais decisivas. Grande momento.

 

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