(Outra vez) a problemática da bissectriz e da leitura do contexto: Rui Patrício contra o Uruguai.

É quase um cavalo de Tróia de muitos treinadores de guarda-redes que insistem, numa delas, em treinar do nível mais amador ao mais profissional: a bissectriz entre a bola e a baliza. A outra questão, da leitura de contexto, já começa a ser mais abordada mas mesmo assim menos…

Hoje, Portugal foi eliminado do Mundial’18 pelo Uruguai, depois de uma derrota por 2-1. E no segundo golo sofrido, há um problema em Rui Patrício que já tinha sido facilmente visível em contexto de bola parada e neste Mundial, e agora foi visível em bola corrida num contra-ataque rápido… a insistência nos posicionamentos extremados ao primeiro poste. Primeiro exemplo, num golo sofrido contra a Espanha no jogo inaugural da fase de grupos:

(Cliquem na imagem para ver o lance)

Já aqui dava para antecipar estes posicionamentos muito conservadores perto do primeiro poste que lhe tiram reacção no poste contrário que, contra adversários complexos, tornam-se apetecíveis de serem explorados. No último golo, apesar de não ter responsabilidade no remate do golo… foi este o posicionamento a certo momento ao primeiro poste:

E hoje o que se passou no 2º golo de Cavani? Exactamente o mesmo que já tinha acontecido antes. Mas desta vez mediatizou-se porque se foi eliminado do Mundial após este golo, mas que era uma problemática já antecipada… Rui Patrício, neste Mundial, estava a ter posicionamentos em campo demasiado conservadores para um guardião da sua qualidade.

Podia, e devia, jogar mais subido porque tem essa capacidade. Não faz sentido ver, aqui ao longe, um guardião assim tão conservador quando tem potencial para tanto mais. E foi por Portugal… e durante esta última época no Sporting CP. Eis o golo de Cavani…

(Cliquem na imagem para ver o golo e uma análise)

Outra imagem…

Três notas importantes a ter e que resumem tudo:

  • Bissectriz: Não está entre a bola e a baliza, de forma a fechar ao máximo esta última em relação ao adversário. E como tal, apesar de ter feito o gesto certo após o remate, o pequeno apoio e voo, o problema já estava anterior: excessivamente ao primeiro poste.
  • Análise do contexto: É o Cavani, numa zona semi-aberta da área e perto do final da área. O pé dominante é o direito, logo qual a necessidade de fechar o primeiro poste? Qual a probabilidade de rematar ao primeiro poste? Como é que, numa bola descoberta, não se protege a baliza ao máximo e se permite ter este posicionamento?
  • Os apoios nem estão orientados (os pés, para comum designação) para a bola, tornando mais difícil o comportamento seguinte (deslocamento, fixar o corpo, voo, etc)

Gostávamos de ver um Rui Patrício mais liberto, mais confiante, mais inteligente nos movimentos na área… mas ao invés disso temos visto um guardião “preso” e conservador, quando as suas capacidades vão além disso. Apesar de ter uma das defesas do Mundial (ver aqui) fê-lo igualmente em posicionamentos ultra-conservadores…

Agora, no Wolves, terá Rui Barbosa no treino específico que, conhecendo as suas ideias mais ofensivas para o guarda-redes, poderá potenciar isto que gostávamos de ver no Rui. Daqui as uns meses voltaremos a falar deste assunto, sobre o Rui… era bom sinal, se fosse pela positiva no sentido da evolução e desenvolver das suas capacidades.

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