Análise: Muslera, um guardião imbatível no Mundial 2018… mas que também tem defeitos!

O guardião Muslera, guardião uruguaio neste (e nos últimos) Mundial 2018, que ainda não sofreu golos na competição, vem super motivado a curto prazo (o único guarda-redes sem sofrer golos neste campeonato) e vem de ser campeão no Galatasaray, na Turquia, na época. É, portanto, alguém com a confiança em alta! E se calhar é por aqui que vamos pegar para descortinar algumas debilidades…

Mas antes de mais é importante dizer: é dos mais incríveis guardiões que existe, incrivelmente subvalorizado (pela sua carreira mais “modesta” em clubes representados e pela pouca imprensa mundial). Tem uma capacidade de reacção incrível, imensa agilidade e velocidade nos seus movimentos, muita confiança em si (e no que é capaz). E qualidades muito fortes mas… onde afinal ele peca? Ficam alguns (poucos) aspectos:

Distribuição com os pés:

Pé (muito e único) dominante: direito. Faz tudo com esse pé no que diz respeito a recepções, passes, entre outros. É onde se sente confortável e é onde tem de ser muito condicionado para errar. Se, sem pressão, contorna facilmente este obstáculo. Sai a jogar pela esquerda, principalmente para Gimenez (isto no Uruguai), que é o central onde sai a primeira construção de jogo.

Solução? Condicionar pelo seu lado direito e pelo centro – impedir a construção por Torreira (o médio defensivo) ao centro e pela esquerda por Gimenez (defesa centro esquerdo). Um exemplo, o que a Rússia lhes fez, condicionando Muslera para o seu pé esquerdo, que não tem muito alcance, pressionando estes homens na primeira fase e deixando até o lateral esquerdo aberto no meio campo e com linha de passe sem pressionar. Porquê? É mais complicado para Muslera colocar lá a bola.

Video: 

Problema?

Será que Portugal irá pressionar desta forma alta e intensa, como a Rússia fez neste caso? Ou vai recuar linhas e permitir a potenciação da primeira zona de construção uruguaia, não criando dificuldades aos mesmos? 

A ultra confiança e jogar subido:

Muslera joga sempre muito alto, quando a bola não está descoberta (ou seja, tem oposição), e recua imediatamente quando a bola está descoberta (sem oposição). Até aqui tudo bem, mas mesmo com a bola não descoberta ele arrisca muito algumas saídas agressivas para marcar posição no controlo de área. E algumas até descontroladas…

E o posicionamento alto é eficaz quando a equipa está subida no terreno. Mas o Uruguai não joga assim tão subido nas linhas de trás, sendo mais conservador no posicionamento e na pressão, funcionando também como um bloco muito fechado. Ele tem estado entre posicionamentos altos e médios neste Mundial muito devido a esta circunstância do modo de jogar do Uruguai, nada como um “remate assim alto e um mero chapéu” para o colocar em sentido e recuar para zonas mais recuadas, podendo o adversário aproveitar bolas na profundidade com mais eficácia (apesar de ser algo extremamente complicado pela eficácia da dupla de centrais).

O sentimento de imbatibilidade é algo que nele funciona nele na forma positiva e negativa. Porquê? Se não for sofrendo golos no jogo… a confiança vai aumentando (e as tomadas de decisão de maior risco também), e é um dos grandes “shot-stoppers” que existe. Mas se sofrer rápido… a confiança vai por aí abaixo. E ele neste Mundial ainda não sofreu, portanto… quem sabe se a confiança não cai durante o jogo contra Portugal.

E uma forma da confiança cair é irem-lhe explorando os pontos mais frágeis e já deixámos alguns. Piores tomadas de decisão, mais erros e isso abala a confiança de qualquer um. Em cima está um erro que podia dar em golo da Rússia… iremos saber hoje se será testado nestes pormenores.

Gonçalo Xavier, A Última Barreira 

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