Emiliano Viviano chegou ao Sporting CP. Mas, afinal, o que vale?

Guardião italiano, faz 33 anos no final de 2018 e assina por dois anos de contrato. Tinha contrato com a Sampdoria e acaba de ser contratado por 2 milhões de euros. Um guardião que fez grande parte da sua carreira em Itália, sendo esta a sua segunda ida para fora do seu país natal (a primeira por empréstimo no Arsenal, Inglaterra, onde não teve sucesso).

Internacional AA por 6 vezes por Itália (entre 2011-12), foi internacional em todos os escalões jovens/seniores por Itália. Esteve no Jogos Olímpicos em 2008, entre outros feitos. Os jogos que fez na selecção principal italiana foi na sua última época no Bolonha, antes de chegar ao Palermo.

No Palermo fez a primeira época e nas duas seguintes foi emprestado (Fiorentina e Arsenal). Na primeira teve sucesso individualmente, fazendo a época toda, e na seguinte sem jogos em Inglaterra. Voltou a Itália pelas mãos da Sampdoria em 2014 e esteve lá até ao final da época passada. Na época transacta não começou a titular, começando Puggioni (37 anos) que tinha terminado a época anterior e foi-lhe dada a continuidade mas, passado uma dúzia de jogos, Viviano agarrou a titularidade do clube.

Passando a carreira a fino, passemos ao “sumo” relevante, que é a sua descrição como guardião. O que vale ele afinal? 

1.95m de altura, é neste aspecto já assinalável (sendo, talvez, dos mais altos em Portugal). Com cada vez menos capacidade de mobilidade lateral em deslocamento (pelas menores capacidades motoras pelo avançar da idade e exigência do futebol profissional) dentro da baliza, faz valer do seu posicionamento a maioria do seu jogo. Reactivo na defesa de baliza, com posicionamentos recuados quando há remate contrário em eminência, é distinto quando a bola está relativamente longe de si, sendo capaz de adoptar (capacidade que foi melhorando com o tempo), a capacidade de antecipar – pela certa – bolas bombeadas para as costas da sua defesa em alívio fora da área ou bloqueio no final da sua zona da grande área.

Não é um guarda-redes de loucuras extremas, sempre tentando ser simples no que faz. O processo inerente é que pode ser complexo e o seu treinador principal estimular isso. Exemplo disso é a organização desde trás, com a bola controlada. Na Sampdoria existia construção desde trás, sendo rara a bola longa colocada. Com isto, Viviano tinha qualidade na recepção, visão e passe -sendo o seu pé preferencial o esquerdo, tal como era Rui Patrício – para fazer tudo o que interessava à equipa na primeira organização de jogo. A prioridade era sempre procurar a construção pelo médio defensivo em zona central (tal como acontecia no Sporting com Rui Patrício e William), e era sempre tudo feito com muita calma, serenidade e qualidade. Exemplo disso são estes lances, principalmente o último:

Numa equipa como o Sporting, que procura sempre ter bola e desde trás, é uma grande qualidade o jogo de pés do seu guardião. Viviano cumpre, quase na perfeição, com esse requisito, em bolas curtas, médias ou longas (sendo muito fortes e com grande alcance desta forma) que seriam boas. Tudo à medida do que o Sporting tem feito nos últimos anos na construção, tendo os centrais ou médio defensivo como primeiras referências, os laterais bem abertos como segunda referência e por última o avançado, sendo respectivamente passes curto, médio e longo. 

Procura tomar as melhores decisões e fazer tudo simples, daí o foco no posicionamento e não ousar pisar terrenos desconfortáveis para si em contextos distintos. Por exemplo, não é um guarda-redes de grande controlo de área pelo ar em contexto de cruzamento, preferindo recuar uns metros para a baliza e esperar o remate para reagir ao mesmo. Sente-se mais confortável nesse papel e defende muitas bolas pelo posicionamento.

A capacidade de deslocamento lateral já não é a sua maior qualidade e procura estar no sítio certo, lendo bem os lances, para defender. Como reactivo que é… existe muito a procura do desvio aos remates (interiores ou exteriores) ao invés do bloqueio. Com mais força, e também na procura da simplicidade e de errar o menos possível na defesa de baliza, desvia. Sendo este um problema num clube de maior exigência que não pode permitir segundas bolas e ele facilmente defende a primeira bola e espera apoio para retirar a possibilidade de existir segundo remate. Ele procura dar segurança à equipa a defender a primeira bola e noutros aspectos de jogo (pela forma como comunica, a sua presença em campo, e a forma como lida com a pressão contrária com os pés), são pormenores que ajudam a acalmar uma equipa. E ele tem essa capacidade. No 1×1 é competente, tanto com a bola controlada em que faz bem a “mancha” ou em bola não controlada em seu ataque. Da boa escola italiana, com as devidas limitações morfológicas neste momento da sua carreira. 

Em suma, é uma aposta segura por parte do Sporting CP, principalmente para o curto prazo, que tem de ter um guarda-redes simples de processos e que complique o mínimo possível e de experiência assinalável para diminuir os riscos. É moderno à medida das suas capacidades físicas, pela distribuição e até saída fora da área para alívio a controlar a profundidade da sua defesa, mas fá-lo pela certa e não como distinção dos demais, principalmente o controlo de profundidade. Estando bem fisicamente e sendo estimulado a isso, pode ter maior frequência neste tipo de acções se assim exigido…

A exigência de substituir uma lenda do clube é grande, mas ele tem o perfil para os seus adeptos gostarem dele, pela forma simples como faz as coisas e de forma eficaz na sua maioria, apesar de não ser o mais completo possível, procura saber fazer um pouco de tudo (e bem). Sem grandes excessos ou premissas exageradas. Nesta fase delicada do clube, pelo preço/qualidade, e hábito em bons palcos e campeonatos, é uma aposta que faz sentido. E entende-se ainda mais quando já treinou com o novo treinador principal do clube. Faz tudo sentido.

Pontos mais fortes:

  • Distribuição com os pés, de curta a média distância
  • Simplicidade de processos, eficácia e muita calma/frieza nas suas acções
  • Posicionamento em qualquer contexto de jogo, apesar de na maioria das vezes tender para a reacção ao invés da antecipação.
  • Comunicação verbal e não verbal (pela postura corporal)
  • Foco e concentração.
  • Especialista em penaltis! Tem sempre uma grande percentagem de penaltis defendidos (no video abaixo estão alguns da época passada)
  • Um jogador com bom balneário e treino, pelo que os seus treinadores falam. Uma boa adição no balneário também e nos ensinamentos aos mais jovens, sendo muito disponível nesse sentido.

Pontos a corrigir:

  • Saídas pelo ar a cruzamentos – ganhar esse conforto nesse tema, quando necessário e coerente consigo mesmo (ao evitar o erro)
  • Aumentar os bloqueios aos remates e diminuir os desvios (para evitar segundas bolas)
  • Deslocamentos mais rápidas – capacidades atléticas – dentro da baliza para juntar ao bom posicionamento que tem e evitar mais golos para fora das suas zonas normais de acção.
  • É simples e por isso não lhe peçam algo que saia desse registo, pelo menos num curtíssimo prazo. Pode ter essa disponibilidade mas levará treino em cima para tal acontecer.

Ficam algumas defesas da época passada do guardião:

 

O próximo desafio do Sporting, já olhando além, é procurar alguém jovem para assumir a baliza daqui a 2/3 anos. É o próximo desafio, esteja ele no clube já ou sendo contratado. Os perfis assinaláveis seriam Pedro Silva (sub23 ou empréstimo esta época ou Luis Maximiano, para os sub23 do clube esta e próxima época talvez).

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