Os guardiões portugueses nos Mundiais: 1966, o “Magriço” José Pereira

É importante, antes de salientar o guardião lendário do Belenenses e um dos “Magriços” do Mundial’66, que não havia Portugal na maior competição de selecções se não silenciasse um estádio de 60 mil pessoas na antiga Checoslováquia com uma grande penalidade defendida que daria os pontos necessários à passagem ao Mundial de 1966. O sonho começou aí, na primeira presença de Portugal no Mundial.

A Selecção dos “Magriços” de Portugal não só foi a primeira selecção portuguesa a chegar a um Mundial, como foi, mesmo passado meio século, a melhor classificação nacional nesta competição: um incrível 3ºlugar. Uma competição inacreditável dos portugueses…

Mas importa antes de falar disso, dizer quem era e foi (e ainda é, alegadamente) José Pereira. Com a maioria da carreira feita no Belenenses, só representou dois clubes: Belenenses e Beira-Mar, 13 e 5 anos respectivamente. Mas foi no clube azul onde se notabilizou e onde alcançou, em grande plano, a baliza nacional onde teve 11 internacionalizações no total (Principalmente entre o Mundial’66 e alguns jogos das qualificações antes e depois da competição). Não começou o Mundial’66 a titular mas acabou a ser um dos heróis na selecção dos “Magriços” que tinha Eusébio em maior plano. Na imprensa dizia-se que o que Eusébio marcava… estava José Pereira a defender por trás. 

É importante citar neste artigo esta passagem que fala de como deixou de jogar no Belenenses e a razão de, há mais de 40 anos, ninguém saber da sua existência além do simples facto de ter ido viver para Barcelona:

“Um ano após o Mundial, aos 36 anos, José Pereira já não era titular da Selecção e saiu do Belenenses, que o tratou mal e o dispensou, para continuar a jogar, até aos 40 – e com exibições memoráveis que a imprensa registou – no Beira-Mar.

Zangado com o clube que o desprezou, com os jornalistas e com o País, partiu com a mulher para Barcelona, onde há dias terá completado 83 anos. Tentativas para o descobrir nunca resultaram, os amigos perderam-lhe o rasto, o magriço esquecido não perdoou. A amargura ficou-lhe para o resto da vida.” Por Alexandre Pais em sabado.pt

O Pássaro azul que defendeu a baliza nacional no seu período mais marcante (e pioneiro na mesma) nos Mundiais de Futebol. Quem viu defender dizia que era um guardião incrível, ao nível dos melhores de sempre em Portugal.

Fica esta pequena homenagem d’A Última Barreira para relevar o primeiro guardião português num Mundial. Seguem-se vários a partir deste momento, da raridade da presença nacional num Mundial à obrigação em estar no mesmo como é actualmente, este foi o crescimento português.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
Facebook Comments