Uma carta que podia ser de um jovem adepto, ou mais adulto, ao guardião do União de Leiria…

“Um sonho (muito) nosso.

Era o meu sonho. Era o teu sonho.
O meu, de te ir apoiar e te ver ganhar. O teu, de me fazer sonhar.
Hoje choro. Hoje choras. 
Um choro de raiva por ter dado tudo, em todo o lado. Por teres dado tudo.
Eu vi-te a cair quando não merecias. Tu caiste por tudo teres dado, de ti e por todos, por uma equipa e cidade inteira.

Hoje eu choro e ainda continuo a chorar. Tu ainda choras por já nada mais conseguires dar.

Nem me lembro da última noite que dormi bem. As imagens fazem eco na minha cabeça. Milhares de pessoas que esperam por este dia há demasiado tempo. E tu que esperas tanto por esta glória a quem te deu o espaço para melhorares e notabilizares.

O eu é irrelevante hoje. Não fiz mais… não consegui. Tu não podias fazer mais num pontapé traído pelo chão e pela força humana.

Saio do ontem com muito orgulho e com ainda mais fé no futuro. O nosso dia vai chegar… tem de chegar. Já o teu presente já é de ouro que apenas falta o coroar.

Wilson, estou cá para te levantar. Com uma lágrima no olho, cachecol no pescoço e festejar mais uma defesa tua. Será sempre assim. Cabe a ti, que tudo deste, decidir se ainda darás.

Levanto-te pela gratidão e por homenagem. Levanto-te com a esperança de, em um ano, seres tu a levantar-me com os festejos esperados. Até lá, carrego-te eu. Aos jogadores cabe jogar e a mim te apoiar. Estou aqui. Espero que estejas para mim, para nós, também.”

(Um texto solto de relevo a Wilson, guardião da União Leiria pela fantástica época, e também relativo à eliminação nas meias finais do playoff de apuramento para a 2a liga)
Foto: @In Touch Photography 
Texto: Gonçalo Xavier
Transversal a toda a baliza leiriense. Foi apenas referido o Wilson por ser o rosto maior e estar na foto, mas o trabalho por trás merece louvor. Mika, Ricardo Campos e no treino Hugo Figueiredo.

 

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