19# Paschalakis (PAOK)

– O grego que interessa ao Sporting para suceder uma lenda viva do clube como Rui Patrício

28 anos de idade, atleta do PAOK (vice campeão grego), 1.97m… Em termos estatísticos: 22 jogos disputados no clube em 2017/18, 14 sofridos, 14 jogos sem sofrer (8 deles, quando começou a jogar, seguidos), ou seja, em 64% dos jogos que disputou não sofreu qualquer golo e ajudou o clube a vencer a Taça da Grécia ao campeão AEK, sem golos sofridos.

A sua carreira nem sempre foi feita em níveis superiores de qualidade e exigência, tanto a nível individual como em competição, e apenas chegou a um dos maiores clubes gregos esta época, demorando meia época até se afirmar como insubstituível, relegando uma figura do clube para o banco de suplentes como Glykos. Depois de algumas passagens por clubes da 1a liga grega, onde se destacou foi em 2016 no PAS Gianinna. A sua elevada estatura e agilidade fizeram-no distinguir-se da concorrência dos guardiões gregos e deu um justo passo em frente na carreira, e agarrou com unhas e dentes a oportunidade  de jogar numa equipa com a exigência do PAOK.

Características do guardião grego:

De alta envergadura, não parece ter esta tremenda altura tal a forma ágil com que se mexe dentro e fora dos postes. É mais agressivo pelo ar do que pelo chão, aos cruzamentos e remates no 1×1 respectivamente, sai na certa e com a atitude necessária. É óbvio que, alguém com este tamanho, cada vez que sai da baliza o adversário “assusta-se”, principalmente da forma rápida e agressiva com que encara cada lance.

Prefere o desvio ao bloqueio, é alguém que tem zonas de conforto diferentes mediante a acção contrária. Se cruzamento alto em jogo corrido, ele  costuma sair (desvio forte para longe). Se é bola parada, fica na zona de conforto à espera de nova acção do adversário – por exemplo o remate. Costumam-se partir os guardiões que reagem ou que antecipam, este grego tenta conjugar ao máximo estas duas características. Usa nestas acções o desvio (por vezes em demasia) mas sente-se confortável nesse tipo de acção pois o que interessa, para si, é a bola não entrar.

Fisicamente possante e admirável, é capaz de tudo… e por vezes, por querer tudo, é que podem ser originados erros pela forma confiante com que encara os lances. Em remate exterior defende algo fora na baliza, em remate interior retira profundidade e reage com qualidade aos lances.

A distribuição com o pé não é a mais forte em pormenor ou recorte técnico (em volley, por exemplo), mas é forte e precisa (se o avançado der referência pelo ar, ele é capaz de lá colocar bem). Não vai a meia altura mas parte alta e difícil para o adversário de interceptar. Tem melhorado com a exigência das equipas em que joga (contraste de equipa “menor dimensão” para uma de “maior dimensão”).

Onde terá de melhor é na capacidade técnica na defesa de baliza (conseguir ter o corpo mais alto e preparado para enfrentar o adversário, ao invés de como costuma estar com o corpo baixo e expectante) e nas capacidades tácticas – saber jogar mais como líbero da equipa controlando a profundidade. Fica muito no seu espaço defensivo e tem potencialidades a nível mental e físico para executar estas tarefas mais modernas.

Um guardião bastante interessante e com qualidade para voos maiores, apesar de já contar com 28 anos de idade…

Falando na comparação com Rui Patrício… é possível pedir um guardião mais diferente? É… é este grego. Na maioria das suas características é distinto do guardião leonino. E talvez seja essa a intenção do clube, além da qualidade óbvia do guardião grego que pode representar uma boa solução.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
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