Haverá pior palco para errar? E duas vezes? De alguém que não merecia… Loris Karius na final europeia

O Liverpool foi uma das equipas mais incríveis esta época, principalmente na Liga dos Campeões. Goleada após goleada, chega à final contra o Real Madrid que procurava a sua 3º conquista seguida na competição. E se jogar contra o Real é difícil… mais se torna quando se perde o melhor jogador por lesão (Salah) e o guardião falha duas vezes, num jogo que ficou 3-1 para os espanhóis. Peguemos neste último ponto dos erros…

Loris Karius teve uma primeira metade da época intermitente mas, após ganhar a confiança de Klopp (que o trouxe do Mainz para o Liverpool), começou a crescer. E de forma exponencial. Onde mais se destacou esse crescimento foi na Premier League, mas na Europa não ficava nada atrás desse rendimento. Era apenas diferente porque a sua equipa se expunha mais na Europa que em Inglaterra. E isso por vezes gerava jogos totalmente “partidos” de equilíbrios e isso não ajuda quem está na defesa.

Individualmente, Karius logo no primeiro lance do jogo mostrou que estava com vontade de se mostrar. Uma bola bombeada para a área foi desviada pelo guardião de forma imponente num movimento de coragem e de mostrar à sua defesa que ele estava bem e ao adversário que ele estava demasiado bem. O problema é que após o primeiro erro… se desmoronou que nem um dominó em cadeia após o primeiro toque. Erro esse que podia ser facilmente corrigido se não quisesse fazer tudo rapidamente. Curiosamente, a última vez que vimos estas “pressas” foi em José Sá… contra este mesmo Real Madrid (ver aqui o artigo) 

O guarda-redes agarrar a bola para levantar a cabeça e olhar para o jogo, mesmo que gaste uns segundos é por vezes essencial. Ver onde está o colega para receber a bola, onde está a pressão ofensiva e o que o jogo pede. E ele não fez isto no primeiro golo. Ignorou o avançado e fez tudo rapidamente e… escusadamente, porque o jogo não pedia essa pressa… estava 0-0. Fica o golo: ver aqui

Não deixou sequer que a sua equipa olhasse para si e se colocasse em campo para sair a jogar. Um acto negligente e que num palco destes… paga-se muito caro. A temporização para a análise do jogo é essencial. Analisar os colegas e o adversário para achar a melhor solução. E isto requer tempo e não pode ser feito de forma precipitada., muito menos num local onde os pequenos erros custam taças. E a partir daqui foi um desmoronar psicológico, com a perda de total foco (já vindo do primeiro golo), de um guardião que perdeu as forças para aguentar a pressão de ter errado uma vez numa final da Champions. Este foi o último golo da partida, novamente num lance de total falta de foco e num erro técnico grande. A cabeça dele já não estava no campo, estava num espaço a “bater-se” pelo primeiro erro. Já não era ele… ver aqui o último golo

Isto num guardião, ainda jovem, que procura afirmar-se entre os maiores. E estes erros podem custar uma carreira… que isso não aconteça. Mais que aguentar mentalmente este jogo, é preciso agora aguentar psicologicamente para o futuro. Vai ser sempre, infelizmente, associado a este desaire. A forma como se vai levantar disto, é que vai determinar o que será como guardião nos próximos meses/anos. E ele tem esse potencial para aguentar estas associações. O que ele já sofreu no Liverpool desde que chegou, fê-lo crescer ao ponto de hoje ter disputado uma final da Champions. Quem sabe se dentro de pouco tempo não terão os adeptos do clube o maior respeito por Karius. Não sabemos e nem ele sabe ainda. Mas foi uma noite muito má para um guardião… que não merecia falhar no maior palco europeu.

No final, em plenas lágrimas pediu desculpa aos seus adeptos na bancada. Estes retribuíram com aplausos. Talvez por reconhecimento a um guardião que fez uma boa época pela evolução que mostrou. Eis o momento:

Neste momento não estará ninguém pior que Karius sobre estes momentos. Ele não sabe quantas vezes mais terá esta oportunidade para vencer um troféu deste renome. Mas uma coisa é certa… a carreira dele já teve momentos maus e recuperou-se sempre deles. Um guardião que cresceu muito esta época e que teve pressaltos quando não devia. Que não seja isto um julgamento errado do seu talento. Porque seria injusto.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira

 

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