Só o jogo perfeito o livrava do falatório. A vontade de tudo mostrar… Amir contra o Porto

Amir, guardião iraniano do Marítimo, foi o tema de conversa de todas as televisões, jornais e redes sociais durante esta semana. Ao guardião do Marítimo tentaram rapidamente rotular de “vendível” e de fácil conversão em prol de, alegadamentee é importante salientar esta palavra pois em Portugal estamos a viver a Era do que nada sabem mas tudo é passível de verdade, claro está, alegadamente e de forma prematura… – receber verbas para facilitar contra o FC Porto durante a tarde de hoje.

A toda hora, numa corrida em que parece valer tudo, rotulam-se os jogadores, os árbitros, os treinadores, os directores e os presidentes como pessoas vendidas. Poderão existir alguns que, em troca de algo, façam outra coisa. Podem haver. Nem todo o mar é limpo e há muita sujidade em todos os sectores. O problema está em quando acontece sistematicamente. A toda a hora. A todo o minuto para no fim os jogos de poder funcionarem e alguém vencer, por quais meios que sejam.

As denuncias anónimas estão na moda. A falta de coragem (ou medo das represálias talvez) obriga as pessoas a isso. E estas só podem cair se as pessoas visadas fizerem o perfeito. É o caso do Tondela na Luz… estava a correr que seria mais um passeio para o Benfica e acabaram por ter o treinador Pepa – o mais visado dessas críticas e considerações – liderar a equipa a uma vitória que quase tira os “encarnados” do tão ambicionado “Penta” campeonato. E as suspeições rapidamente caíram por ter ganho. Que circo seria se não tivesse ganho, estão a imaginar certo? E como caiu por terra a suspeição? Fazendo o perfeito. Voltando a Amir…

Existia uma suspeita que estava corrompido. E qual a solução dele? Era fazer o perfeito. E isso é fácil contra o “provável” campeão nacional (na altura ainda menos provável que actualmente)? Claro que não. E ele entrou no jogo a tentar…

Amir é um guardião com uma extrema qualidade e confiança, dentro e fora dos postes (ver aqui uma análise ao mesmo). Ele, diferente de Charles, permitiu ao Marítimo começar a subir linhas e ser mais ofensivo na pressão ao adversário. Entrou mesmo muito bem mas perto do intervalo tem uma péssima abordagem (típico de quem deixa a adrenalina do jogo penetrar em si e de querer mostrar tudo) e faz falta para vermelho directo (ver aqui). O defesa está com a marcação mas o guarda-redes achou que naquela altura ele podia chegar primeiro e marcar uma posição na partida e foi lá. E foi erradamente. Quem se “enfia no buraco”, dentro da baliza, é que não cometia este erro. Só esses. Quem pensa o jogo além desse espaço e com audácia e coragem, é que pode cometer destes erros. Uma má interpretação (péssima aliás) mas que é só isso. E nada mais. Porque só o perfeito o afastaria da suspeição.

Quanto tempo se vai falar disto e atribuir causa-efeito das suspeições ao vermelho? Muito tempo de certeza. Ou se mata à nascença (e era com o jogo perfeito, pois mesmo perdendo a partida e não errando, as pessoas rivais iam continuar a procurar algo para fomentar a suspeita), ou a bola de neve adensa. E é o que (infelizmente) pode acontecer. E estas coisas podem afectar uma carreira e muitas vezes é de forma injusta. As rivalidades podem originar estes problemas e daqui nada de bom pode sair, sabendo este resultado final. Mas é neste estado que chegámos em Portugal. Que os jogadores são meras marionetas em prol de um poder superior que lidera aos trupes para chegar a algum objectivo. É triste.

O talento de Amir continuará lá, as guerras entretanto entre os adeptos dos clubes maiores em Portugal também. São duas coisas constantes… E uma delas pode destruir a outra… infelizmente. Podiamos falar que Amir é filho de um dos maiores ídolos do futebol no Irão e que o dinheiro não é problema para ele, mas preferimos falar da sua capacidade na baliza. Porque é mais justo para a conversa… que já está em muito baixo nível.

 

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