Argentina: Entre tantas estrelas na frente, uma defesa sem brilho na ideia e na execução

Como é que uma equipa se equilibra se não tem ideias transversais desde a base ao topo? Da ideia à execução? Da frente até trás, é um mar de sucessivos devaneios com um “extraterrestre” como a cabeça de um corpo sem espírito, apesar de ter membros superiores fortes e um tronco capaz. Mas as pernas estão frágeis e o corpo não se equilibra sem a cabeça… e sem os membros inferiores, por melhores que sejam os membros superiores. Se a analogia não é precisa, então a cabeça é Messi, os membros superiores são o ataque, o tronco o meio-campo e os inferiores a defesa e guarda-redes. E falemos da base… dos sapatos em que os pés se calçam que são os guarda-redes.

Como pode uma selecção que se quer campeã mundial (mesmo que possa acontecer), se ambos os guarda-redes que possui aptos e favoritos ao posto, juntos têm apenas 20 jogos no total? (metade cada). Bem certo que estar na sombra de De Gea (Romero no Manchester United) e de Courtois (Caballero no Chelsea) não é fácil… mas a Argentina não estará a ser capaz de ter guarda-redes no topo… a jogar? Willy tem 36 anos… Romero tem 31… e onde andam os restantes? As oportunidades aos mais jovens como, por exemplo, Rulli são escassas mesmo em jogos de menor dimensão.

Mas além dos minutos serem decisivos (pela falta de ritmo competitivo de uma competição tão exigente no pormenor), será que são guarda-redes à imagem do que Sampaoli quer? Vejamos:

Willy Caballero e Romero são dois guarda-redes defensivos. De cumprir perto da linha de golo, de reacção e que não podem ser expostos em períodos de tempo curtos (com maior intensidade) e também em maiores espaços no campo. Se isso acontece, o resultado não é o ideal. Contudo, se olharmos para como joga a defesa de Sampaoli concluímos duas coisas: a distribuição desde o guardião fica frágil se a equipa for pressionada mais à frente e estes não oferecem controlo de profundidade em zonas além da baliza. E também o pouco ritmo competitivo também influencia numa melhor (ou pior) tomada de decisão. Vejamos estes golos hoje sofridos:

Erro na distribuição média/longa desde trás:

Problemas no controlo do espaço e no posicionamento após recepção do avançado:
Erro na tomada de decisão numa saída fora da área:
Existiram mais erros durante o jogo da própria defesa da Argentina nesta derrota (mesmo que em particular) impiedosa por 6-1 às mãos da Espanha. Mas a baliza argentina é um problema e não é recente o pensamento. Pela falta de renovação… E pela sucessiva aposta em guardiões com poucos minutos nos seus clubes. Em alta competição são esses pormenores que ajudam (ou prejudicam) o rendimento por vezes.
Neste jogo Romero saiu logo aos 15 minutos por lesão, é importante destacar este pormenor. Sofreu o primeiro do jogo.
– Gonçalo Xavier – A Última Barreira
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