Há abordagens e abordagens a remates frontais. Destas são raras e aconteceu hoje em Moreira de Cónegos no Moreirense 0-2 Benfica para a última jornada da primeira volta da liga portuguesa.

Num cruzamento para o segundo poste de Jonas, surge Pizzi para de primeira rematar para o golo inaugural do jogo. Os comentadores diziam “sem hipótese” para Jonathan (na baliza do Moreirense) mas será verdade? 

Perante um remate frontal, com a bola dominada ou rematada de primeira, o guardião tem duas tendências: descair o corpo e reagir com os pés ou mãos mediante a direcção da bola, ou de manter o corpo alto e esperar que seja feito o remate para defender. Ora, esta abordagem de Jonathan nem foi uma coisa nem outra.

Quando o remate surgiu, fez uma queda frontal para a diagonal num movimento que torna a eficácia de defesa (muito) menor. Este movimento faz sentido numa defesa frontal e deixar cair o corpo para a frente na diagonal, já depois de agarrada. Em desvio, nunca. Fora isso, todos os movimentos que sejam parecidos a este terão, em sua grande maior, o pior desfecho possível: ou golo, ou se defesa deixar fácil para alguém encostar pois levantar após uma queda destas é mais complicado. E além disto, é um movimento pouco natural num guarda-redes.

Em suma, erro técnico muito grave de Jonathan neste lance pela abordagem que quis ter ao lance. E com hipóteses de defesa se fizesse as coisas como os “manuais” indicam… ao contrário do que apontaram os comentadores durante a transmissão.

Uma lição, acima de tudo, aos jovens guarda-redes (e não só) de uma má acção técnica que traz pouco conforto ao guardião e também eficácia. E para as mesmas é preciso alerta e atenção redobrada.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
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