A questão foi devidamente apontada e relevada por uma das referências dos dados estatísticos em Portugal (Goalpoint, ver aqui) . Quem são, afinal, os destaques das balizas nacionais em parâmetros como saídas fora da área?

Esta característica é muito apontada (quando ouvimos falar sobre a mesma) a Neuer, Ederson, Ter Stegen por exemplo, que são referências nos últimos anos de sucesso neste momento do jogo do controlo da profundidade. Mas analisando além da qualidade das acções, a sua quantidade e espectro de acção no terreno, como se comparam os que jogam em Portugal com os mesmos? Damos dois exemplos de sucesso (aos seus estilos) esta temporada e como se comparam com estes gigantes das balizas. Ora vejamos…

 

Moreira (Estoril Praia)

A cada jogo que passa, o experiente guardião “canarinho” mostra capacidades atléticas acima da média para a sua idade (ele que já tem 35 anos e múltiplas lesões na sua carreira) e uma crescente vontade de fazer parte do jogo ofensivo da sua equipa, com maior impacto do que estar preso aos seus postes.

Potenciou tal característica e aptidão quando chegou ao Estoril com o treino específico de Sergio Castiñeiras e que continua esta época com o português Luís Miguel. A intenção é simples e exigente: ocupar o maior número de espaços defensivos e tentar absorver os ataques contrários evitando a profundidade dos mesmos e um jogo mais directo. Além disso, a exigência técnica de passe e distribuição curta/longa também é requerida pois é um ponto seguro para obrigar as equipas adversárias a subir e construir-se desde trás. Estas componentes  – distribuição e controlo de profundidade – não são abdicadas ou alteradas mediante o adversário, permanecendo a ideia constante no tempo. Por vezes com sucesso… outras não. Mas quando se assume o risco por uma identidade, pode ter as consequências. Esta característica do guarda-redes, ao que tudo indica, parece estar a ser melhor potenciada no comando técnico de Ivo Vieira do que com Pedro Emanuel. Mas ainda são os primeiros indícios… Certo é que o Estoril tem sofrido muitos golos mas não é com bolas directas nas costas da defesa. E assim se pode condicionar uma acção do adversário.

Nos espaços ocupados e nas acções nos mesmo, é curioso notar a diversidade dos mesmos em Moreira tanto em comprimento como em largura, seja num jogo em casa ou fora, ou contra uma equipa mais forte ou não. Vejamos:

Na vitória esta semana contra o D.Aves.

Na derrota na semana passada contra o Benfica

 

 

 

 

 

 

 

 

Tem sido coerente independentemente do adversário. Mas não é caso isolado… vejamos o próximo destaque esta época:

Cássio (Rio Ave)

Já não é novidade alguma nestas lides nacionais, sendo constantemente um destaque das balizas em Portugal.

Mais velho que Moreira, com 37 anos, Cássio é mais um caso que tem absorvido os ensinamentos que os seus treinadores recentemente, principais ou específicos, lhe deram e tem crescido como guarda-redes.

Desde Luís Castro a Miguel Cardoso como treinadores principais que obrigam o guarda-redes a estar em jogo, a Rui Barbosa e Cesár Gomes no treino específico que dão as bases para tal no controlo da área e na distribuição. E Cássio tem aproveitado os mesmos para se cimentar em qualidade.

Referindo aos espaços ocupados, é muito mais central do que largo em comparação com Moreira por exemplo. E também é influenciado pelo terreno em que joga. Em casa é muito mais amplo de movimentos (em largura também) e fora dos mesmos é mais central. Vejamos estes dois exemplos:

Na vitória em casa contra o Moreirense

Na vitória no campo do Tondela

 

 

 

 

 

 

 

Em ambos os casos tem muitas acções fora da área mas num jogo no campo adversário, por exemplo no Tondela, é obrigado a jogar mais recuado pois a sua defesa também está com um bloco mais baixo em comparação com os jogos em casa. Na primeira imagem, por exemplo em casa contra o Moreirense, tem mais acções fora da área em distribuição pois o clube não obrigou a muitas acções em corte de pronfundidade. Contudo, apesar da alta amplitude de acções e de espaços, em jogos de maior exigência (contra “grandes” em Portugal) recua no terreno à proporção do posicionamento da sua defesa. Mas mesmo assim tem acções cruciais fora da área.

Mas agora é importante salientar… como se comportam outros guarda-redes?

Damos o exemplo de 3 guarda-redes dos “grandes” em Portugal e de outros fora de Portugal…

Em Portugal:

Bruno Varela na vitória em casa contra o Estoril

Rui Patrício na vitória fora contra o Boavista

José Sá na vitória fora contra o Vitória FC

 

Menos acções em que a maioria delas são de distribuição quando fora da área. Muito centrais e mais seguros, sendo que o jogo no Bessa de Rui Patrício era o mais exigente na pressão ofensiva (futebol directo) e defesa recuada, em comparação com os restantes. Contudo, há marcas vincadas e caracterizadoras: espaços centrais e muita distribuição.

E agora fora da Europa?

Vejamos De Gea, Ederson e Ter Stegen por exemplo:

Ter Stegen na vitória no campo do Villareal

Ederson na vitória ontem em casa contra o Tottenham

De Gea na vitória contra o Bournemouth esta semana

 

 

 

 

 

 

 

As conclusões são curiosas certo? Em Portugal, os nossos guarda-redes (até extra-“grandes”) são muito completos nos espaços ocupados e até em comparação com alguns dos melhores na Europa. É preciso valorizar.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
Facebook Comments