Não é difícil olhar para o Vitória SC esta temporada e não achar que algo está mal. Do dirigismo, à enorme exigência dos adeptos, ao mau planeamento e não conformidade com a pressão exercida. Muito pouco tem sido positivo neste tempo.

E esta instabilidade passa por todos os quadrantes e que termina nos jogadores em campo. Poucos são os que conseguem mostrar rendimento. Não é fácil até encontrar grandes figuras esta temporada apesar de alguns bons jogadores. E a baliza… não é excepção.

 

Ontem o Vitória SC foi goleado por 4-1 em sua casa contra a Oliveirense na Taça da Liga. E foi reduzido o resultado perante tal diferença de vontade e rendimento em campo. E define bem o que foi o jogo quando olhamos para o jovem guarda-redes Miguel Silva que sofre 4 golos, faz duas defesas brutais (uma delas de grande penalidade) e num dos golos tem um tremendo erro. Um erro de vontade de antecipar-se à jogada mas de não compreensão que não podia facilitar mas sim simplificar. Um erro de extrema confiança e de incompreensão total ao que estava a acontecer em campo. Era momento de mostrar pulso e essa vontade e de não inventar. A tomada de decisão em sair naquele lance foi perfeita, tal como o timing de chegada à bola. A componente técnica… foi de bradar aos céus pelos motivos já explicados (ver aqui o lance)

E por outro lado… faz esta duas defesas:

Num momento tão complicado de forma colectiva (e individual de todos os jogadores), é importante existir alguém com carisma e pulso forte para tomar as rédeas de algum lugar. E é isso que Douglas costuma fazer. Não é uma questão de ter maior qualidade, mas é mais inteligente na percepção do jogo e na forma de interagir com os colegas. Até a postura corporal influencia a confiança dos colegas. Daí o rendimento da equipa com ele crescer e com Miguel decrescer. É o contexto que influencia o rendimento da equipa e dos guarda-redes. E Douglas nestes contextos é sempre a melhor solução pela sua capacidade de não complicar. Mostra pulso de outra forma sem precisar de ir a todo o lado e atacar todas as bolas como Miguel. É diferente e mais útil nestes momentos de pior forma. E não é alguém que se deixe influenciar pelo mau momento da sua equipa. Mantém o rendimento constante sem grandes picos (nem positivos nem negativos). Até a forma de reagir ao erro é diferente.

Nada tem a ver com qualidade mas sim com adaptação aos contextos. Nos contextos especificamente idílicos, todos conseguem render. E há contextos mais propícios a uns que outros. E este é um dos casos, apesar de toda a grande ligação de Miguel Silva com os adeptos vitorianos, é o rendimento que define.

Basta relembrar que foi ele o guarda-redes que não sofreu golos do poderoso Marselha. E que ofereceu toda a segurança necessária. Porquê? A equipa fez o seu melhor jogo da época e ele seguiu essa toada e fez o seu trabalho brilhantemente. Sem complicar, sem hesitar e a dar segurança. Para assim se perceber que é o contexto que muitas vezes define. E ele como toda a equipa são carrosseis de instabilidade e desfocalização perante a exigência do adversário. Se mais exigente, mais focados. Se mais fracos (apenas na teoria), com altas perdas de concentração. E isso é um dominó que começa no treinador e vai pelos jogadores fora até bater no guarda-redes que é o último a sofrer dos erros e fracassos dos que estão à sua frente.

Ninguém é culpado individualmente mas toda a soma das partes, assim com múltiplos culpados.

Foto zerozero.pt: Catarina Morais/Kapta+

 

 

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