Quando se pergunta a um jovem, ou até mais graúdo, de quem ele gosta de ver num guarda-redes e quem o personifica, as respostas são sempre as mesmas: “Neuer, Buffon, De Gea”.

Surgem tais nomes pois estão em locais de grande pressão, visibilidade e cumprem os seus papeis de formas distintas mas sempre com um resultado final semelhante: defender, voar, dar espectáculo e pontos. Mas não é só de grandes nomes que as balizas são feitas e de muita “media”. Mas sim daqueles, os mais comuns mortais, que por onde passam o seu rasto é sempre positivo e as suas equipas sentem-se mais seguras com o mesmo atrás.

 

E para isto é obrigatório dizer o nome do irlandês Randolph. Não é o mais bonito, o mais espectacular, o que tem mais tatuagens, o que dribla que nem um doido ou alguém com um carisma acima da média que faz as pessoas pagarem bilhete para ter que o ver ao vivo. Mas para mim… era alguém que teria sempre na minha baliza.

Não complica, não faz o que não sabe, tenta simplificar todas as suas acções no campo. Em reposição, na temporização do jogo e nos momentos em que o deve fazer, na extrema qualidade dentro dos postes e tomada de decisão na saída dos mesmos. Em remate exterior permanece perto da linha de golo mas no 1×1 não tem problema em encurtar espaços. Um guarda-redes que pela descrição não cai “no goto” de que assiste aos seus jogos mas dos mais confiáveis que existem na alta roda do futebol.

Nas épocas passadas brilhou na Premier League pelo West Ham, mesmo com um talentoso espanhol que lhe oferecia alta concorrência (Adrian) e que até foi chamado na altura à selecção espanhola. Foi ele um dos homens chave de Bilic. Saiu esta época quando Joe Hart entrou no clube com a convicção que mais valia dar um passo atrás e jogar pela convicção de atingir o Mundial’18 pela Irlanda. Hoje pela selecção, no playoff de acesso, manteve a baliza inviolada na Dinamarca e está perto desse feito. Joga no Middlesbrough, na 2a liga inglesa, e tem mantido o rendimento no nível que nos habituou. Dos guarda-redes mais subvalorizados que existe.

Vejam estas defesas nos últimos 3 jogos de qualificação pela Irlanda em que em todos eles… manteve a baliza inviolada. Que talento!

 

– Gonçalo Xavier, A Última Barreira
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