O treino de Guarda-Redes

Acredito que o principal objetivo do treino de guarda-redes é preparar o atleta para reagir no menor tempo possível e com a maior eficácia aos diversos estímulos que o jogo proporciona, seja a resposta a um remate, uma simples reposição de bola ou até, a defesa de um penálti. Pois no futebol há muitas variáveis que não controlamos, mas temos de ser capazes de tornar o guarda-redes, de em situação de jogo, ser a principal figura a nível defensivo e no primeiro jogador a contribuir para a equipa estar mais perto de marcar golo, porque em treino e no máximo tempo de possível do jogo queremos ser nós a assumir o controlo.

 

Defendo que cerca de 70% do treino deve procurar recriar situações do jogo. Por exemplo, para mim não faz sentido, planear um treino, em que pretendemos melhorar as diversas técnicas de defesa, sem enquadrar os exercícios na baliza, na pequena e grande área, onde o guarda-redes irá passar grande parte do jogo. No entanto, sabemos que é impossível passar todo o complexo conteúdo do jogo para o treino, mas podemos reduzir a probabilidade de o guarda-redes ser surpreendido. A procura em treino, de diversificar os estímulos a que sujeitamos o atleta, de diminuir ao máximo o tempo de resposta e de levar o guarda-redes a tomar as melhores decisões no menor tempo possível, é essencial. Por exemplo, treinar com bolas de diferentes tamanhos e pesos, que definam trajetórias diferentes, que ressaltam no campo da mais diversificada maneira e que levam o guarda-redes a num curto espaço de tempo ter de abordar cada lance de uma determinada forma, é muito importante.

Quando Schmitd, 1975, reformulou a hipótese de que a variabilidade da prática deve melhorar a aprendizagem motora, na maneira que, com o aumento da variabilidade da prática, as normas generalizadas do programa motor são fortalecidas, vamos de encontro à minha maneira de pensar o treino. O Guarda-Redes, nos treinos, deve estar inserido num contexto semelhante ao que vai encontrar no jogo (para fortalecer o programa motor genérico, movimentos de resposta semelhantes), e onde se deve procurar sempre que possível diversificar os estímulos (para armazenar o máximo de informação extra possível – motora e sensorial) com o objetivo de em jogo, o Guarda-Redes conseguir adaptar qualquer movimento realizado previamente em treino ao solicitado, no menor tempo de resposta possível, aumentando a sua eficácia e consecutivamente realizar uma melhor performance.

Acredito que a diferença entre um bom treino de guarda-redes e um excelente, está relacionado com o pormenor, com a maneira de como é preparado face à prestação do atleta no jogo anterior e à previsão do que será o jogo seguinte. A adaptabilidade, a perfeição técnica e de movimento, a tomada de decisão, a velocidade execução e a postura face às adversidades. É isso que eu procuro melhorar, constantemente, nos meus treinos.

  • Bruno Pereira, atual treinador de Guarda-Redes dos Iniciados e Infantis do Futebol Clube de Alverca e aluno da faculdade de motricidade humana, no curso de ciências do desporto
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