Os problemas na baliza encarnada, após Ederson, têm sido por demais evidentes.

Desde a demora em contratar alguém para “número 1” – pelo que apontava a imprensa com múltiplos nomes a serem atirados para praça pública -, a aposta curta em Bruno Varela que só durou até ao primeiro grande erro, as lesões de Júlio César que (até ver) está em condições, à contratação de Vlachodimos (que chega em Janeiro) e agora à titularidade de Svilar que pelo que se diz nas redes sociais, já resolveu todos os problemas. Não resolveu… mas pode ajudar.

Para o jogo desta noite, com alta exigência como o do Manchester United, muitos pedem Júlio César para a baliza. E apontam apenas uma característica como razão desta titularidade: experiência. Mas, questionamos, do que vale a experiência se o mental/físico não estão alinhados com os pergaminhos e pegadas antigas de um caminho muito vitorioso? E será adequado sequer lançar o experiente guardião brasileiro hoje? Apontamos mais que tudo… às características do jogo para responder: não.

Passamos a explicar… O United tem um futebol de posse lenta mas um jogo bastante atlético. E, ofensivamente falando, é muito cruzamento e jogo directo para provocar erros na defesa contrária de onde não se pode excluir o guarda-redes. Para evitar isto, é preciso um guardião altamente activo perante o jogo exterior e que se imponha fisicamente, com coragem e sem hesitação. E Júlio já não é esse guarda-redes (nem costumava ser nos seus tempos áureos) respondendo em grande maioria das vezes às investidas recuando até à baliza. Mas… Svilar é.

Apontámos aqui (ver link) que, passamos a citar sobre Svilar:

Não foge a um bom espectáculo na forma de abordar os lances. E usa constantemente de forma ousada o seu corpo para evitar lances de perigo, tentando muitas vezes (algumas exageradas) a antecipação. E nestes pormenores é que se vê características difíceis de encontrar: coragem, ousadia e capacidade de antecipação.É preciso é moldar essas capacidades e tornar assim num guarda-redes mais equilibrado (ao nível do corpo e a nível de desempenho). Por estas razões é que é um jogador que dá facilmente nas vistas. E não é fácil de ser batido.

Se uma equipa procura um guardião jovem com uma atitude inabalável, este é o rapaz ideal. (Julho, 2017)

E não será isto que pode ser crucial hoje? Alguém sem histórico algum (a nível profissional) e com uma vontade inacreditável de se mostrar? E ele, se errar, não haverá problemas de lhe “cairem” em cima por ser jovem – de potencial – e porque o adversário é muito forte. E, não ser português, também ajuda (infelizmente em Portugal é algo cultural). Agora se acertar… concluam vocês o que acontecerá depois. É fácil chegar à conclusão que pode nascer hoje. E o jogo “pede” e desespera por Svilar na baliza. O miúdo tem toda a confiança do mundo (tem um ego tremendo pelo que já mostrou, ver aqui) para chegar e mostrar qualidade (que a tem) e a sua impetuosidade na saída, aliado à coragem, podem resultar hoje.

Veremos se Rui Vitória e a sua equipa técnica têm a coragem de o lançar ou de jogar “pelo seguro” e que é por si confiável por todo o histórico. E hoje Svilar até pode bater um recorde de Casillas de guardião mais jovem de sempre a jogar na Champions…

  • Gonçalo Xavier – A Última Barreira.
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