Ainda sobre Rui Patrício e uma “aula dada no Clássico” contra o FC Porto. 

O Sporting CP recebeu os “dragões” num jogo que terminou 0-0 e onde o jogador do encontro foi Rui Patrício. Não defendia tanto (em quantidade) na liga portuguesa desde 2013 e evitou males maiores neste encontro. Estas foram algumas das defesas de destaque no encontro (ver aqui) mas resta fazer uma melhor análise…

Retirar profundidade em remates de longa distância.

Ligeiramente subido quando não há perspectiva de remate, acompanhando o lance. Mas recua imediatamente para perto da linha de golo quando há remate exterior. As imagens seguintes mostram isso mesmo.

 

Dificuldades em distribuir para a direita e mestria para a esquerda:
Talvez pelo seu pé predominante ser o esquerdo e ter jogadores mais dotados técnicamente na esquerda que na direita, (Mathieu, Jonathan e Acuna), tentou sempre distribuir (a curta e média distância) para o seu lado esquerdo. E nesse sentido teve bastante conforto. Pode tornar isto o seu jogo previsível mas perante equipas menos pressionantes… pode sempre jogar curto no trinco e não terá dificuldades na distribuição.

Ataque à bola sem deixar o avançado pensar muito:

Um exemplo daquilo que foi mais impressionante por parte de Rui Patrício: a capacidade no 1×1. E esta defesa foi, incrível… e talvez a de dificuldade mais elevada no encontro. Mal percebeu que Aboubakar tinha a bola controlada após o toque inicial a romper a defesa, retirou todo o espaço de manobra (ao remate e drible) ao avançado camaronês e com um deslize e com um desvio com a mão, evitou males maiores.

De salientar o corpo baixo na abordagem ao lance e a forma rápida como chegou ao lance apesar de não estar com um posicionamento inicial distante da baliza. Grande velocidade e agilidade e o “corpo baixo” ajudou a resolver a questão – ver aqui o video

Concentração e rapidez:
Quando toda a equipa “dormia”, foi o guardião leonino quem mostrou frieza e concentração para resolver. A controlar desde o primeiro momento o lance, recua antes do cruzamento surgir e depois deste partir, corta ângulo de remate a Marega e com uma defesa perfeita resolve o lance.

Tudo isto num só jogo de alta exigência contra uma equipa que teve neste jogo o seu primeiro encontro sem marcar qualquer golo. Eis alguns números de Rui:

Estatísticas

  • 7 defesas (100% eficácia)
  • 31 passes (90% precisão)
  • 50 acções no jogo com 90% precisão. O dobro nas acções totais no encontro que, por exemplo, Iker Casillas.

Gonçalo Xavier, A Última Barreira em colaboração com ProScout

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