Hoje aconteceu algo insólito que mereceu destaque (negativo) nas nossas redes sociais – ver aqui.

E tal facto levou-nos a reflectir sobre o nosso propósito. Depois de quase 4 anos de página com muito “tempo gasto” em tentar desenvolver uma mentalidade pro-activa na avaliação dos guarda-redes e de os valorizar, parece que não chegamos a todas as cabeças que por vezes podiam ser mais racionais nas abordagens. E como tal, nunca é tarde para o fazer, mostramos uma pequena lista de temas a considerar numa avaliação de um guarda-redes:

1- O Contexto:

Este é o aspecto mais relevante para avaliar algo e alguém. As comparações com os antecessores, a liga em questão, os campos em que treina, a forma como se prepara para um jogo, a exigência do clube, a forma de defender/atacar da equipa, as características que esperam que o guardião tenha. E facilmente continuaria com a temática. Tudo mais interno e pessoal ao mais visível externamente.

Há factores que influenciam o rendimento e também a nossa forma de avaliar alguém. A empatia que criamos (ou o oposto) e o nosso (des)conhecimento sobre algo, podem causar dificuldades ou erros nas avaliações que fazemos. Acontece aqui como na vida. Não podemos julgar algo quando não estamos na posse de toda a informação, sob pena de concluir algo díspar com a realidade.

É preciso entender o contexto para se aferir algo. Será que a defesa teve os comportamentos mais acertados e propensos ao sucesso individual e colectivo? Será que perante um guarda-redes com características de retirar profundidade recuando até à linha fará sentido pedir-lhe a curto prazo de ser mais ofensivo? Faz sentido a curto prazo pedir a alguém que seja um “pivot” na organização ofensiva com qualidade técnica nos pés, quando ele toda a carreira foi obrigado a mandar a bola para as “moitas” quando estava pressionado? Não faz. Tudo requer treino, paciência e cuidado nas avaliações. E tudo tem de ser interpretado… no devido contexto. Se retiramos o contexto, obtemos uma avaliação desprovida de realidade. 

2- Informação. 

Relacionado com a primeira temática, é crucial estarem interessados no que vão comentar e tentar reunir o máximo de informação possível… sob pena de, se não o fizerem, dizer algo sem sentido. As palavras são fortes e as redes sociais têm muita coisa boa como de má. A liberdade de opiniões e a forma como as mesmas são julgadas devia obrigar às pessoas a terem cuidado no que comentem e na forma como comentam.  E não se renderem ao fácil sob o ponto de vista emocional e dizer, por via simplista (e errada!), que é um frango ou outra gíria relacionada, devia ser uma prioridade. Com tanta via para obter conhecimento, só se pedia maior vontade de procurar informação… principalmente quando se comenta um tema que se pouco conhece.

3- Colocar na pele de guarda-redes. Questionar o porquê?

As nossas acções têm uma intenção, um objectivo, e uma razão. E isto acontece na vida além do futebol. Somos seres racionais porque pensamos e logo existimos (já dizia um conceituado filósofo). E, como humanos que somos, quando queremos julgar outros seres da mesma natureza, é preciso perceber o porquê de tal acção. Porque recuou? Porque atacou aquela bola naquele momento e daquela forma? Porque se posicionou daquela forma? Será que o que o treinador lhe pediu naquele jogo faz sentido? Podia fazer melhor em determinado lance… Está bem, mas porquê? (e será que sabemos responder a isto?)

Para responder a estas questões mais técnicas é preciso ter os dois primeiros pontos. Percebem as interligações entre as temáticas? Todas juntas fazem sentido e não apenas isoladamente.

4- Noção e coerência

Uma adjectivação forte mas elucidativa. Será que analisamos dois guarda-redes diferentes da mesma forma? Faz sentido entrar em comparações em contextos distintos? Como nos influenciamos? Procuramos os erros mais facilmente nuns que noutros? Porquê? A opinião, para ser considerada, deve ser fundamentada… e coerente. Com quem a diz e para quem a ouve. Deve fazer sentido. A nossa capacidade de julgamento é influenciada pelas nossas vivências mais negativas que positivas. E tendem a serem exageradas quando o negativo entrar na nossa cabeça. E para evitar isso, numa análise mais limpa? Noção e coerência. E para tal é preciso recuar às temáticas anteriores. Ajudam… mas começa mesmo na nossa pessoa. E essa… só depende de vocês. A nós compete alertar.

 

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