O Steaua de Bucareste foi empatar esta noite a Alvalade contra o Sporting CP num jogo que terminou sem golos.

Este facto já é uma novidade na equipa romena pois é apenas a segunda vez esta época que não sofreu qualquer golo num encontro, mas é um resultado que deixa tudo em aberto para a segunda mão no acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

Na baliza está Florin Nita, guardião de 30 anos. Desde que assumiu a baliza do “gigante” romeno, nunca foi campeão como “titular indiscutível”, estatuto que ganhou há dois anos. Tem dois títulos – de campeão nacional – no currículo no clube… em que fez, em cada época, 5-8 jogos. Os titulares nessa altura eram entre o lituano Arlauskis e Cojocaru, também ele romeno e uma jovem promessa, que neste momento joga no Frosinone de Itália. E esta época, Nita, está nas nuvens… não tem qualquer concorrência de relevância. Talvez por isso revele a ultra-confiança que mostra em cada jogo. Já lá vamos.

Florin Nita é um comunicador nato. É electrizante e tenta estar sempre activo no jogo. E para tal, goza de um “à vontade” mostrando um excesso de confiança tremendo… e esse às vezes trama-o. Ele é bom com os pés mas hoje, mesmo tecnicamente apurado, falhou imensas reposições com o pé porque se tentava mostrar ao máximo ao invés de ser assertivo. Mas via-se uma intenção (bola na largura com o pé no ar e no chão para o avançado Alibec o mais profundo possível). Esse excesso de confiança por vezes soa a escusado quando olhamos para o seu currículo e qualidade intrínsecas…e não se conjugam harmoniosamente. Mas talvez seja um mecanismo de defesa em si.

É um guarda-redes que já gostou mais de massacres, sendo isso o que chamou à atenção no Steaua quando veio do Concordia. Hoje gosta de estar a liderar a equipa ao seu ritmo mas que não aprecia remates contra si (guarda-redes que se preze devia sempre procurar isto… era sinal que nunca sofria). Quanto mais longe a bola estiver, melhor. Menos se expõe. A ida para um clube “grande” tirou a capacidade de shot-stopper que tinha e passou a ser mais um líder (daí hoje ser um dos capitães). A importância no balneário terá, mas em campo a qualidade como guardião fica aquém. Talvez por não existir um equilíbrio de forças entre a auto-estima e auto-confiança e qualidade demonstrada. Pelo menos não sempre. E como tudo na vida… tem de haver equilíbrio para tudo resultar. Mas nesta equipa, é coerente o perfil na sua generalidade: voluntarioso, jogador de equipa e com vontade. Contra isso, ninguém pode acusar esta equipa romena. Podem falar da qualidade ser baixa… mas vontade eles têm-na sempre no máximo mesmo tendo em conta todas as limitações.

Hoje, por exemplo, não foi testado além. E isso fez crescer a sua confiança no jogo. Mentalmente é um guarda-redes que se torna um monstro se o deixarem ser. Mas se o limitarem, marcando por exemplo cedo no jogo, vai-se abaixo e não é recuperado para o encontro novamente. Não tem essa capacidade, sendo a confiança algo restrita… a quando está tudo bem na sua envolvente. E agiganta-se quando tudo está bem. E perante a previsibilidade das acções ofensivas contrárias, como hoje, mostra facilidade. Na área foi tudo dele. Pelo ar pelo menos. Mas lembram-se de algum remate à baliza? Vamos ver como será na segunda mão. Se irá continuar em superioridade mental perante o adversário ou se irá ser desfeita a confiança intrínseca.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
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