Não é de hoje que a baliza do Liverpool e sua defesa é falada. E não terá hoje um fim essa conversa.

Desde Dudek e Reina (sendo ambos contestados no seu tempo), que o Liverpool não possui uma baliza de qualidade ou que pelo menos não comprometesse em demasia. E desde 2013… que o seu dono é Mignolet, na altura contratado ao Sunderland. Sucedia então a Reina na baliza da equipa de Anfield. Mas como é que, passados tantos anos de amores e desamores pelos adeptos, ainda continua a merecer a confiança das equipas técnicas do Liverpool?

A resposta pode ser difícil e simples ao mesmo tempo… na sua estreia no clube esteve a centímetros de um título de campeão inglês. Era adorado e até teve direito a um cântico ao estilo de “Rei Leão”. E a gratidão durou esse ano inteiro onde ele, efectivamente, esteve muito bem. O problema foram os anos seguintes…

Após falharem o título por pouco nessa época, o Liverpool não se encontrou mais até à actualidade. Não se encontrou no sentido de lutar por um título de campeão, pois o lugar no topo das equipas inglesas esteve quase sempre garantido. E tem estado a tentar recuperar esse estatuto – que o tem – mas sem grande sucesso até ao momento. E apesar de se reforçarem de forma fantástica na linha da frente, é atrás que existe o desequilíbrio que não os leva além. E este desequilíbrio começa no guarda-redes… mas a defesa não pode ser ilibada. 

Depois de alguns anos a titular de Mignolet, Klopp decidiu contratar Loris Karius ao Mainz, guardião que conhecia bem dos tempos da Bundesliga. Pagou 7M para o ter. Para si era o guardião ideal: Sabia jogar com os pés, tinha uma capacidade de reacção acima da média e era muito rápido. Esqueceu-se porém que na liga inglesa… a capacidade aérea é predominante e foi aí mesmo que o alemão desiludiu.

Desde o ano passado que Klopp não se decide por quem será o dono da baliza. Em trocas quase sucessivas (com maior pendor para Mignolet), não oferece estabilidade à sua defesa… e esta também não ajuda a estabilizar o guardião titular pelos sucessivos erros. Os guarda-redes do Liverpool neste momento são testados além da técnica… vai até à capacidade mental. São testados a reagir e antecipar o erro do colega (isto é saudável numa equipa?) e isso gera um ciclo vicioso em que o erro é mais propício. E a qualidade da defesa do Liverpool é tão baixa para um clube desta exigência, que tem de ser a capacidade ofensiva a resolver os problemas marcando mais. E numa maratona, a probabilidade de se falhar nestes pressupostos é maior… e é o que tem acontecido.

Além da evidência óbvia de terem que contratar um “patrão para a defesa”, é crucial que esse patrão comece desde trás… na baliza. Alguém com estatuto tal que impusesse concentração na defesa. Alguém que vá além da capacidade como guarda-redes… mas que seja mesmo um líder. Se juntar a capacidade acima da média como guarda-redes seria a combinação perfeita. Mas neste momento teria que ser alguém que comandasse a área como poucos. Mas isso não sai barato… atirando para o ar alguns nomes: Butland (Stoke), Rulli (Real Sociedad) ou mais um ou outro alemão, Fahrmann ou Horn, Schalke e Colónia respectivamente. Relativamente jovens mas com um perfil superior. O primeiro era o que faria mais sentido pelo conhecimento da liga inglesa e pelo potencial como activo futuro e também qualidade a curto prazo. Mas sairia caro… mas se querem sonhar com títulos, terá de ser isso mesmo.

O problema do Liverpool está na mentalidade. E é preciso jogadores de mentalidade superior e que criem o efeito “arrastamento” para os outros. Só assim poderiam aumentar o rendimento. E a sugestão é começar pela baliza… mas a defesa deveria também ser alvo de melhoria neste sentido. Assim ficariam mais fortes. Mas o excesso de foco no ataque, desfocou e descurou a defesa. E essa é que normalmente dá sucesso aos clubes.

  • Gonçalo Xavier, A Última Barreira
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