Acabou há poucos instantes a Supertaça Portuguesa, que teve como vencedor o SL Benfica contra o Vitória SC num jogo que terminou 3-1.

Com dois jovens nas balizas, Bruno Varela e Miguel Silva respectivamente, o jogo não foi (de todo) fácil para ambos. Muita vontade de mostrarem-se aos seus treinadores, por motivos diferentes, e algum desacerto. Os dois ficam ligados a algum golo adversário mas também em grandes defesas. Pouca consistência foi o que os ligou e defesas pouco coesas à sua frente.

Começando por Miguel Silva, este foi o mais notório na vontade de se mostrar. A querer sair a todos os lances de forma impetuosa, teve muitos problemas de coordenação com a sua defesa. Pareciam não estar todos em sintonia e acabou num lance do género um golo inaugural para os “encarnados”. A comunicação não resultou e Miguel Silva tentou mostrar demais em momentos que não devia. Daí que algumas saídas a cruzamentos no início do jogo não deram em bom resultado apesar da intenção ser só uma: mostrar agressividade perante um ataque do Benfica que entrou forte. Mas não resultou. Quando começou a resultar já perdia o jogo.

Miguel Silva tem uma forma muito própria de defender. É destemido, rápido a encurtar espaços e muito agressivo nas abordagens, sejam elas pelo ar ou pelo chão aos pés do adversário. E foi assim que sofreu o segundo golo (aproximação rápida ao invés de esperar) mas também foi assim que evitou mais 2/3 golos no jogo. É uma abordagem que para deixa para si o acaso. Pode calhar bem ou mal. É incógnito. Neste jogo calhou mais vezes bem do que mal, mas já tinha sofrido desta forma por ser muito emotivo e menos temperamental, por exemplo, esperando o desenrolar do lance.

Como ponto (muito) positivo, é a sua capacidade de reagir à adversidade (mesmo que seja após lances menos bons da sua parte) e que mostra todo o carácter que tem. Também fruto da emoção que coloca no jogo, é uma consequência óbvia. A melhorar? Ser mais calmo, ponderado e cerebral e não deixar que a emoção se apodere de si. Terá muito mais a ganhar e será mais confiável. Mas para ele ser confiável… a equipa precisa de ser também. E hoje não foi de todo com muitos erros técnicos e de concentração que foram deteriorando a hipótese de conquistar esta taça.

Sobre Bruno Varela, a responsabilidade não era baixa. Substituir Ederson já é uma exigência, mas ultrapassar a pré-época negativa também se avizinhava uma dificuldade considerável.

Tem uma saída brutal na primeira parte numa mancha perfeita com os braços esticados aos pés do avançado vitoriano mas logo a seguir teve um descuido de concentração que ajudou ao golo adversário. Menosprezou o lance e não estava preparado para reagir a uma possível continuação do lance e acaba por desviar de forma defeituosa para perto da baliza. Na segunda parte teve dois momentos distintos: Segurança no ar, com mãos seguras, e fragilidade nos desvios (tem por exemplo um desvio para a frente quando não podia) sendo o oposto neste tema do que estava a ser pelo ar.

De notar também a potência do seu passe longo. Era uma intenção clara do Benfica, de esticar muito jogo a partir do seu guarda-redes (talvez influência do que foi Ederson) e Bruno Varela cumpriu na perfeição com o pedido.

Em suma… Dois jovens que têm imenso por lapidar e que responderam ao desafio de formas idênticas com resultados, obviamente, diferentes, até pela diferença de impeto ofensivo das duas equipas. Não se pode dizer que passaram no teste pelos erros que cometeram, mas a exigência do teste e falta de coesão das defesas à sua frente não foram propícias a uma boa evolução de rendimento. O maior vencedor só pode ser Varela pois somou um título ao seu currículo… mas mostrou que merece, pelo menos, o lugar no plantel e crescer na sombra. Mas não escondeu a necessidade do clube contratar alguém de qualidade superlativa para a baliza, como tem tido nos últimos anos…

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