Muito se fala actualmente, em todos os espaços de troca de ideias sobre guarda-redes, na tomada de decisão. Este é um dos temas mais em voga nesta realidade das balizas. Fala-se também nas capacidades atléticas e mentais que um guardião deve ter… e é neste último tema que vamos explorar.

O lance é o golo sofrido por Portugal esta tarde nas Confederações que deu o empate ao México aos 90 minutos de jogo. Fica o lance:

Para se ser temido na baliza, é preciso atitude e voz de comando. A vertente psicológica de um simples grito ou bater de luvas ou activação das pernas são simples gestos que podem gerar desconforto no adversário por se passar a ideia de uma atitude proactiva. Tudo o que seja o oposto disto é tido como uma postura passiva. E perante a passividade… há tendência de criar “momentum” no adversário que poderia bem ser evitado e contrariado antes de acontecer.

Após ver o lance, foquemo-nos no primeiro posicionamento de Rui Patrício e restante defesa, ainda antes de ser batido o canto:

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Notas a tirar:

  1. Dentro da pequena área estavam 4 jogadores de campo + guarda-redes para 3 jogadores mexicanos. Fora dessa zona, ainda dentro da área, estavam 3 para 3 com os mexicanos em movimentações.
  2. Um dos jogadores mexicanos foi criar obstrução a Rui Patrício e arrastou a marcação. Perante isto não existiu uma tentativa de tentar despovoar aquela zona crítica perto da baliza por parte do guardião.
  3. Rui Patrício ao ficar em cima da linha de golo e mesmo com estas intenções claras de obstrução pelo adversário, deu a indicação (indirecta) ao adversário de subir para perto da área do guardião impedindo-o de ter liberdade de movimentos e tentar a antecipação aérea. Com uma postura diferente, mais proactiva, a defesa não recuava tanto nem existia uma ofensiva tão perto da baliza.
  4. Apesar da bola cair dentro da pequena área em zona central (onde há o mito futebolístico que dentro da pequena área tem de ser obrigatoriamente do guardião) era praticamente impossível ao Rui sair tendo em conta os pontos anteriores. Como estava restrito no seu espaço (que foi ele que criou em grande parte essa restrição) não iria conseguir sair aquela zona daí ter tomado a decisão de ficar na linha de golo.

Daqui se retira a importância da liderança, comunicação e controlo de área que o guardião precisa de ter. Todos os jogadores são estudados ao pormenor nas suas capacidades técnicas e de agir. E até de pensar. Portanto perante esta aproximação dos avançados mexicanos à baliza (totalmente consentido), quem bateu o canto decidiu – e bem – colocar para essa zona de onde apareceu o cabeceamento para o empate final. Com uma abordagem mais agressiva do guardião (na comunicação) poderia ter mais espaço para antecipar naquela zona e evitar tanto problema. A defesa guia-se pelos comportamentos que têm estudados de antemão (como previsíveis ou prováveis de acontecer), com o que o jogo lhe dá… e com as indicações que o seu líder na baliza dá.

Pode-se dizer que Fonte poderia ter sido mais lesto a tentar desviar a bola de cabeça… mas o problema estava na raiz. Essa é uma interpretação de quem só quer ver o resultado final e não entender o contexto e a criação do mesmo. E é preciso, para compreender as coisas, por vezes ir às raizes… Não é uma questão de atribuição de culpas mas de perceber a razão de tudo acontecer. Só assim se pode melhorar.

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