MOTIVAÇÃO E O ERRO

O sucesso de uma equipa pode depender muito da contribuição de um bom guarda-redes, ou seja, acaba por ser uma das peças mais importantes do jogo senão a mais importante. Existem duas grandes palavras no dicionário do guarda-redes: Motivação e o Erro.
Primeiro que tudo penso que para se trabalhar a questão motivacional de um guarda-redes à que se cria condições e um bom ambiente proporcionado para a realização desse trabalho, ou seja, deverá de ser atribuído a partir do treinador principal, restante equipa técnica e colegas de equipa, uma importância ao guarda-redes, ao seu treino específico e objectivos e funções durante o jogo. Infelizmente ainda existe muitos guarda-redes que por não terem treinador específico de guarda-redes que acabam por ser “chutados” para canto rematando umas bolas uns aos outros quando não dá jeito que sejam integrados nos exercícios do restante plantel.

Existe no guarda-redes ” a necessidade de manter a concentração máxima durante todo o jogo e o grau zero na aceitabilidade de erros.” – retirado do livro “Como ganhar usando a cabeça” de 2012.

O erro é importante para o processo de ensino-aprendizagem e crescimento do guarda-redes, é praticamente impossível algum guarda-redes durante toda a sua actividade não cometer um erro no treino ou jogo, logo irá acabar por errar e inúmeras vezes.
Existem 4 componentes que devem ser trabalhadas no guarda-redes: a técnica, a táctica, a física e a psicológica. Hoje em dia fala-se muito que se deve trabalhar a componente psicológica e com isto quero associar 4 capacidades mentais de entre algumas existentes que têm uma relação directa com o erro:

  • capacidade de concentração durante muito tempo do jogo;
  • capacidade de não se focar nos erros e concentrar-se apenas no momento presente;
  • presença de autoconfiança e convicção inabaláveis nas suas capacidades;
  • capacidade de controlar ao máximo os seus pensamentos e sentimentos;

Um guarda-redes por mais excelente que sejam as suas qualidades físicas, técnicas e tácticas irá adiantar de pouco ou mesmo nada se não forem trabalhadas as diversas capacidades mentais (componente psicológica).

Após um erro do guarda-redes, por exemplo uma má decisão deste e que acaba em golo da equipa adversária, o que guarda-redes deverá de fazer é esquecer o momento do erro, o foco naquele momento deverá de estar voltado para o momento presente para estar o mais bem preparado e capacitado na próxima vez que seja chamado a intervir em qualquer situação do jogo, pois se este se focar no erro estará a criar condições neste caso mentais para que surja um novo erro, ou seja, estará a prejudicar a sua concentração, mas também aumentará o número de pensamentos negativos. No fundo gera-se um ciclo em que consiste num ERRO – GOLO – CONCENTRAÇÃO PREJUDICADA – MAIS ERROS – GOLO – ERRO.
Existem factores extrínsecos que podem prejudicar ainda mais a concentração do guarda-redes, como por exemplo as críticas e rebaixamentos por parte dos adeptos e às vezes os próprios colegas de equipa ou próprios pais e mesmo o treinador, sendo que isto “ajuda” com que o guarda-redes acabe por se culpar pelo erro efectuado, resultando na diminuição dos níveis de concentração.

A motivação é o desejo ou a necessidade que faz uma pessoa agir para alcançar os seus objectivos. Muitos problemas estão relacionados com a percepção de competência, nomeadamente o erro que pode de certa forma desmotivar o guarda-redes e é uma das nossas tarefas enquanto treinadores específicos de guarda-redes ajudar o nosso guarda-redes a realizar determinada tarefa sabendo sempre que o erro é essencial para o seu crescimento mostrando lhe a ele próprio isso. A pergunta é “como é que ajudo o a chegar lá?”, ora bem terá de existir micro-objectivos de processo, ou seja, existe uma determinada tarefa e ao longo do percurso até ao guarda-redes alcançar determinado objectivo deverá de existir constantemente novas perguntas e micro-objectivos onde deverá sempre de existir uma relação de compromisso para puder chegar ao objectivo final.
“A maior parte das pessoas envolvidas no desporto acredita que a motivação é como o dinheiro: quanto mais tiverem melhor. No entanto, a relação entre motivação, capacidade e sucesso é muito mais complexa do que isso.” – retirado do livro “Como ganhar usando a cabeca” de 2012.
Os níveis de motivação considerados muito altos, iram ter como consequência a concentração do atleta prejudicada, resultando numa diminuição da sua capacidade, isto devido a um aumento da pressão gerada pelos níveis de motivação muito altos.
“Acreditamos que, no desporto, a motivação tem que vir do jogador, e não de factores externos. O que, de facto, permanece como fonte de motivação (excepto o dinheiro) é o desejo e a vontade do jogador em ser melhor no desporto que pratica e demonstrar o seu melhor desempenho! O desejo e a vontade do jogador em ser o melhor têm um objectivo. É por isto que quando trabalha a motivação você tem que se concentrar no poder e direcção da mesma. Quando estiver consciente da sua capacidade para regular a intensidade e direccionar-se a si próprio para alcançar os seus objectivos, será capaz de regular o nível de motivação para ajustar ao seu rendimento máximo.
Um jogador de futebol cuja a motivação depende de factores externos como o treinador, os dirigentes da equipa, um líder político, a imprensa ou outros factores como estes é um jogador em dificuldades. A principal fonte de motivação tem que vir do jogador!” – retirado do livro “Como ganhar usando a cabeça” de 2012.
O treinador deverá de conhecer os seus guarda-redes e tentar ajudá-los a regular o seu nível de motivação. É também dever do treinador passar a ideia que o nível de motivação é unicamente da responsabilidade pessoal de cada guarda-redes e que nenhum deles deve confiar em qualquer factor externo para os levar aos níveis desejados de motivação. Este também deverá de ter a capacidade de influenciar a motivação dos seus guarda-redes através da formulação de objectivos.

Pedro Santos – Treinador de Guarda-redes

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