(Artigo Original – Futebol Apoiado – http://futebolapoiado.blogspot.pt/2017/03/guarda-redes-nao-ser-o-numero-1.html)

Ao contrário dos jogadores de campo que podem muitas vezes fazer mais do que uma posição, e se não jogarem a titulares podem entrar no decurso do jogo, o caso do Guarda-Redes é muito mais peculiar e de difícil gestão. Só joga um, faz o jogo todo (se não houver lesão ou expulsão) e costuma-se dizer que está por entre a espinha dorsal de qualquer equipa, portanto, alterar de jogo para jogo não costuma ser opção (pelas dinâmicas, confiança, etc.).

Hoje o meu texto é para os que não são opção. Qual o seu papel? O que devem fazer? O que devem ambicionar?

Antes de mais acho importante diferenciar um contexto de Formação de um contexto Sénior, usualmente associado a rendimento. Quero focar o aspecto rendimento mesmo podendo ser o caso de parecer demasiado romântico quanto às palavras que vou proferir (num mundo ideal…).

Não jogar nunca é um caso de fácil gestão! Para ninguém! Ganhes milhões de euros ou ganhes pouco ou nada. No caso do Guarda-Redes mais difícil é porque ser suplente automaticamente é associado a não jogar. Já para não falar do terceiro Guarda-Redes (normalmente conhecido como reserva).

Primeiro quero começar pela construção do plantel. Tem de haver claramente um equilíbrio nos Guarda-Redes. Sou da opinião que deve haver um titular que é referência e depois pode haver algumas opções: ou ter dois suplentes que dêem garantias, caso aconteça algo com o titular, ou ter um suplente com qualidade e deixar o lugar de terceiro Guarda-Redes para um jovem da Formação ou nos primeiros anos de Sénior (proveniente da Formação).

Como lidar com o facto de se ser suplente? Antes de mais, perceber o seu lugar e o porquê de ali estar. Saber que tudo pode acontecer e que a qualquer momento pode ser chamado a intervir e para isso tem de trabalhar para se manter ao seu melhor nível. Mais ainda, muitas equipas fazem uma gestão desse segundo Guarda-Redes, levando-o a jogar nas Taças. Potenciar as suas qualidades e aproveitar para corrigir alguns pontos menos fortes (sabendo as limitações de não jogar regularmente e a importância que isso pode ter). Trabalhar para o colectivo, ajudando a equipa nos treinos e em competição. Manter-se ao mais alto nível de trabalho e entrega para obrigar o Guarda-Redes que joga regularmente a não facilitar.

Quero finalizar chamando a atenção para a importância de todos num grupo de trabalho. Os Guarda-Redes também, tanto em treino específico como em treino integrado. Ser suplente pode ser só um momento. Analisem as vossas ambições, a vossa qualidade e o vosso espaço no grupo. Principalmente para os mais jovens, não ser opção não quer dizer que não se é bom, quer dizer que há ainda um caminho a percorrer e que tem de se preparar para o que vem depois. Numa época, não se é opção, na seguinte já se pode ser. Numa primeira fase de campeonato não se é opção e depois pode vir a ser.

Miguel Menezes

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