(Artigo Original – Futebol Apoiado – http://futebolapoiado.blogspot.pt/2017/03/guarda-redes-o-que-mas-estas-maluco.html)

Nos dias de hoje cada vez mais cedo as crianças começam a praticar Futebol e daí advêm problemas como a especialização precoce, caso o processo não seja bem conduzido e acompanhado. Sou da opinião que as crianças, pelo menos até aos 10 anos, devem experienciar várias modalidades (tanto individuais como colectivas) para a construção de uma motricidade base. Esse vasto leque de experiências vai ser muito benéfico e ter grande impacto no futuro da criança, seja qual for a modalidade que a criança venha a escolher como principal (a criança, não os pais!). Ou seja, dar oportunidade à criança de experimentar uma panóplia de actividades e, quando chegar a altura certa, deixar a criança escolher em qual se sente melhor.

No que toca aos Guarda-Redes, no caso específico do Futebol, essa escolha também deve existir! Essa não especialização precoce também deve existir! Num mundo perfeito o processo deveria ter uma sequenciação lógica: experimentar/praticar várias modalidades; dentro da mesma modalidade experimentar e jogar dentro das várias posições (Guarda-Redes incluído!); escolher a modalidade principal e a especialização dentro dessa modalidade (13-14 anos). Para que isso possa acontecer de forma correcta o Treinador de Iniciação tem um papel activo, ao não querer que o atleta conheça apenas uma posição e ao dar oportunidades ao atleta para experienciar vários “papéis” dentro do jogo. Os Pais também são peça fundamental! Ser Guarda-Redes é ser parte do jogo e, se o filho gostar da posição, não o deve levar a modificar a sua motivação só porque “não faz golos” ou “não vai ser o Messi ou o Cristiano Ronaldo!”.

O ídolo na mente das crianças é extremamente importante! Em Portugal tem de haver mais ídolos Guarda-Redes. Essa imagem pública tem de sofrer um “upgrade”. As crianças que viram Rui Patrício na final do Euro 2016 como herói certamente sentir-se-ão mais inspiradas a poder querer ser Guarda-Redes. E atenção, pois não é uma posição nada fácil! Principalmente para uma criança, pelo erro associado ao golo sofrido e pelo escrutínio que a criança poderá sofrer de fora e dos próprios colegas de equipa. Volto aos Treinadores no que diz respeito ao importante papel do acompanhamento das crianças e na motivação para a posição! Aviso à navegação: sem o Guarda-Redes o jogo não se inicia! Portanto pensem bem na importância desta posição.

Quero concluir salientando algumas ideias principais:

– Não queiram formar Guarda-Redes com 6 anos. Deixem a criança experimentar e ganhar-lhe o gosto! Tornem o treino prazeroso para os Guarda-Redes (falo aqui principalmente no treino específico).

– Há que acreditar que a criança com um repertório motor extenso facilmente se adaptará a qualquer posição e que a aprendizagem, se for através do jogo (jogando várias posições), vai proporcionar-lhe uma compreensão do jogo mais vasta (uma característica essencial num futuro Guarda-Redes).

– Pais, antes de mais, incentivem a prática desportiva, incentivem para que se crie um gosto pelo desporto e pelos seus valores, dêem-lhes oportunidades de experienciar várias modalidades, sempre incentivando.

Miguel Menezes

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