Antes de um jogo, o Guarda-Redes deve ter ligeiramente mais de 30 minutos para realizar um aquecimento que o irá prepara para intervir posteriormente. Enquanto, os jogadores de campo entram ligeiramente mais tarde, o guarda-redes realizará múltiplos exercícios curtos e intensos, como as ações em jogo, o que faz com que este despenda mais tempo para ativar.

“Sob aquecimento entende-se todas as medidas, que antes de uma carga desportiva – seja para treino ou competição – servem para a preparação de um estado físico, psicológico e coordenativo-cinestésico ideal, assim como para a profilaxia de lesões” (WEINECK, 1991, p. 434).

Ou seja, o aquecimento é definido por ser uma técnica usada antes do Guarda-Redes entrar em jogo, ele é a primeira parte da atividade e tem como objetivo preparar o atleta tanto a nível fisiológico como psicológico para encarar a competição. A realização do aquecimento visa obter o estado ideal psíquico e físico, prevenir lesões e criar alterações no organismo para suportar a competição, onde o mais importante é o aumento da temperatura corporal que tem os seguintes benefícios:
  • Aumento da taxa metabólica
  • Aumento do fluxo sanguíneo
  • Melhoria da difusão do oxigénio disponível nos músculos
  • Aumento da quantidade de oxigénio disponível nos músculos
  • Aumento da velocidade de transmissão do impulso nervoso
  • Diminuição do tempo de relaxamento muscular apos a contração
  • Aumento da velocidade e da força de contração muscular
  • Melhoria na coordenação
  • Aumento da capacidade das articulações para suportar a carga

Numa preparação para o jogo é usado de forma predominante o aquecimento ativo que se divide em dois tipos, o Geral e o Especifico.

O aquecimento geral ativo, precede o específico e, possibilita um funcionamento mais dinâmico do organismo como um todo, cuja realização mobiliza grandes grupos musculares, ocorrendo em corrida lenta com rotação de braços, skipping, entre outros exercícios.

 Já o aquecimento específico consiste em exercícios que encarem a complexidade do jogo, onde guarda-redes serão visados os grupos musculares mais selecionados, provocando redistribuição do sangue que se encontra em grande percentagem retido no trato gastrointestinal, de modo a favorecer maior irrigação da musculatura a ser recrutada, suprindo-a com mais oxigênio e possibilitando alcançar uma temperatura ideal. Nesta fase, o Guarda-Redes realiza exercícios que vão de encontro ao que irá acontecer no jogo, situações de remates cruzados dentro da área, e remates fora da mesma são situações que mais acontecem em jogo em contexto de remate, também cruzamentos e reposições de bola terão de fazer parte do aquecimento pois será algo que irá ser encontrado nesse jogo.

O aquecimento ativo, não deve ser muito intenso sob pena do Guarda-Redes entrar fatigado no encontro. É aqui que entra o aquecimento mental, que se caracteriza por ser a preparação psicológica para este encarar a competição. Esta fase pode acontecer uma semana antes até ao dia de jogo, em que o guarda-redes visualiza imagens na sua mente, de determinados comportamentos que tencionará adotar nesse jogo. Mesmo quando entra em campo, grande parte do aquecimento será mental, uma vez que, haverá imitação dos gestos que serão utilizados jogo. Esta reprodução ativa involuntariamente o sistema nervoso e o coloca em prontidão para realização da atividade (Chiesa, 2003). Segundo ROLOFF, citado por Weineck (1991) o aquecimento mental só pode ser utilizado em sequências muito fáceis ou totalmente automatizadas, ou seja, um aquecimento que não vá de acordo com os rituais e expetativas do guarda-redes, poderá levar a uma má exibição devido a uma frustração que começou no seu aquecimento, é por isso que devemos dar alguma liberdade no aquecimento para que eles se sintam confortáveis para se exibirem a um bom nível, realizado ações de contexto de jogo mas também permitindo que todas estas se realizem de forma simples para que o Guarda-Redes ganhe confiança.
Geralmente o aquecimento inclui 3 fases, a fase inicial a baixa intensidade (cerca de 5 minutos) onde o guarda-redes, seguem-se os alongamentos dinâmicos, uma vez que os estáticos enfraquecem o músculo tenso durante mais de 30 minutos e por fim, a atividade específica com ações que vão de encontro à complexidade do jogo como bloqueios, mudança de corredor, quedas, cruzamentos e reposições.

Padrão de Aquecimento de Jogo – José Sampaio – União Nogueirense F.C.

  1. Corrida lenta pela grande área com mobilização dos grandes grupos musculares
  2. Alongamentos
  3. Bloqueio médio (cerca de 10)
  4. Passe de primeira no mesmo corredor (5 vezes)
  5. Passe atrasado com mudança de corredor (5 vezes)
  6. Lateralização ao longo da baliza com bloqueio em baixo (3 vezes)
  7. Bola aérea (2 vezes cada lado)
  8. Queda Rasteira (3 vezes cada lado)
  9. Passe de primeira, lateralização com queda rasteira (3 vezes cada lado)
  10. Queda rasteira, lateralização com queda a média altura (3 vezes cada)
  11. Cruzamentos (5 cada lado) + remate frontal fora da área
  12. Reposição de bola (2 lançamento com mão, 2 em volei, 2 no bola no chão)

 Exemplo de outro aquecimento padrão – Daniel Araújo – C.D. Trofense
 

José Sampaio – Treinador de Guarda-Redes União Nogueirense F.C.
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