(Artigo original – Futebol Apoiado – http://futebolapoiado.blogspot.pt/2017/02/treinador-de-guarda-redes-duque-ou-as.html)

É importante iniciar este texto esclarecendo que o Treinador de Guarda-Redes (TGR) é, antes de mais, um Treinador que é “somente” responsável pelos Guarda-Redes. Enquadra-se dentro de uma Equipa Técnica com outros elementos onde quem toma as decisões é o Líder – Treinador Principal.

A meu ver podemos analisar o TGR de duas formas: como um duque (apenas mais uma “carta do baralho”) ou como um ás de trunfo. E para que percebam esta minha análise, passo a explicar esta minha visão…

Mais uma “carta do baralho”: neste caso o TGR é visto como “o tipo que vai lá chutar umas bolas para os Guarda-Redes”. Pode parecer estranho, mas isto ainda acontece. Sejamos sinceros, não vale a pena assobiar para o lado e fazer de conta que esta atitude pertence ao passado. Porque não pertence apenas ao passado…E isso acontece por culpa de quem? De todos – Treinadores Principais, Estruturas Directivas e dos próprios TGR’s. E para chegar ao fundo desta questão quero deixar-vos três palavras que, na minha opinião, devem servir como guia para a valorização do TGR (Comunicação, Competência e Respeito).

Ás de Trunfo: o TGR como uma mais-valia na Equipa Técnica e/ou numa Estrutura do Clube. A maior parte dos Treinadores Principais não faz ideia da complexidade que envolve o trabalho de um TGR nem como se desenvolve esse mesmo trabalho, descurando o facto de a valorização de uma posição tão específica advir daí (trabalho do TGR). Ora, se é ao TGR que cabe a responsabilidade de potencialização dos Guarda-Redes, e tendo em conta que as Equipas Técnicas são tendencialmente cada vez mais multidisciplinares, penso que o Treinador Principal tem de ser capaz de se rodear de pessoas capazes nas mais variadas vertentes (dando-lhes espaço para o desenvolvimento do seu trabalho, valorizando todos os que fazem parte do Processo de Treino de uma equipa). Acredito que o Treinador Principal possa ter opiniões quanto ao que devem/podem fazer os seus Guarda-Redes, mas sempre numa perspectiva global, de equipa, no seu papel e importância para o seu Modelo de Jogo.

Esta é a forma como os TGR’s podem ser encarados. E no que diz respeito aos três conceitos que podem servir de guia para a valorização do TGR, julgo ser importante dar-vos a conhecer as minhas ideias. Como tal…

Comunicação: muita, imensa, entre todas as partes, principalmente dentro da Equipa Técnica, reservando somente aqueles “pormenores” que interessam só aos Guarda-Redes e ao seu Treinador específico.

Competência: em qualquer área é importante. Aqui, acho extremamente importante. Acredito que se o TGR for competente e sério na sua área os resultados vão aparecer, o Guarda-Redes vai evoluir, a equipa vai ser beneficiada e a longo prazo a posição de Guarda-Redes também vai sair valorizada. O TGR tem de procurar o conhecimento, tem de querer mais do que ser “aquele tipo que vai lá chutar umas bolas” ou que “tira uns exercícios da internet”. O Treino de Guarda-redes é muito mais para além disso! Temos de procurar respostas, criar problemas, pesquisar e levar mais além o nosso conhecimento. Mostrar que somos realmente competentes e que temos espaço neste mercado, de modo a que possam valorizar verdadeiramente o TGR. Caso contrário e como se costuma dizer: “Por uns… pagam os outros todos…”.

Respeito: porque nada na vida a meu ver existe sem respeito, mútuo, pelo trabalho que se realiza, pelos outros, pelos Guarda-Redes e pelas decisões. Respeito também pelos nossos Princípios e Metodologia.

Queria concluir fazendo reflectir todos os envolvidos: Treinador de Guarda-Redes – duque ou ás de trunfo?

Miguel Menezes

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