Dias depois da eliminação do Burkina Faso da CAN’17 pelo Egipto, nos penaltys, A Última Barreira foi ao contacto de Vasco Évora, treinador de guarda-redes da seleção africana que chegou a umas meias-finais históricas.

A experiência em África

UB: Como está a ser a experiência em África, mais propriamente no Burkina Faso? Foi fácil a adaptação a uma cultura diferente da portuguesa? Se não, quais as maiores dificuldades?

VE: Não é fácil a adaptação a culturas totalmente diferente das nossas, é uma questão de tempo… Mas para mim o mais difícil é estar longe da família, mas o facto de ser uma selecção também tem as suas vantagens que nos permite ver mais vezes a família…

UB: Qual foi o critério na seleção dos guarda-redes para a convocatória final? Foi seguido o critério das eliminatórias anteriores ou fez uma análise exaustiva dos melhores, no seu entender?

VE: O critério de escolha para a convocatória da can foi o mesmo critério ao longo de todo o ano, escolher os melhores no momento para todos os jogos.

UB: Terminou há dias uma prestação brilhante na CAN, onde chegou até às meias-finais, caindo só perante o Egipto nas grandes penalidades. Terminaram a competição sem qualquer derrota num percurso histórico. Como se sente por fazer parte desse caminho?

VE: Terminamos sem derrotas durante os jogos jogados (falta o jogo de sábado terceiro e quarto lugar), mas é muito gratificante e algo que nos faz sentir orgulhosos que passados um ano e um mês desde que chegamos à selecção da burkina faso ainda não perdemos no decorrer dos jogos que fizemos…

Koffi e a sua qualidade

UB: O seu guardião foi um dos destaques da competição, mas teve o infortúnio de falhar uma das grandes penalidades decisivas contra o Egipto. Como avalia todo o seu percurso na competição?

VE: Sim o koffi foi um dos destaques desta CAN não me surpreende visto que é um jovem de 20 anos com muita qualidade que a primeira vez que o vi não hesitei em dizer “temos guarda redes “. Tenho tido a felicidade de guarda redes como Oblak, Mika, Gottardi… Agora Koffi terem começado a afirmar-se nas suas carreiras comigo como treinador de guarda redes. Koffi falhou um penalti? Sim também já vi o Ronaldo que é só o melhor do mundo falhar…

UB: Em jeito de retrospectiva, em que o seu guardião melhorou consigo? O trabalho foi mais técnico, físico, mental, ou foi um conjunto de componentes melhoradas transversalmente?

VE: O que Koffi melhorou mais comigo foi no aspecto da disciplina tática, posicionamento em campo, concentração no jogo, aspectos fundamentais que se trabalham pouco em África com os guarda redes. O que eu tento fazer é corrigir as suas lacunas e potenciar o que ele tem de melhor, este é o maior inconveniente de trabalhar numa selecção é não podermos trabalhar com os guarda redes diariamente. Ao contrário do que muita gente pensa existe muita qualidade de guarda redes em África, o que falta é a falta de formação… O koffi se trabalhasse a sua formação na Europa hoje não era preciso eu estar aqui a dizer quem é o Koffi…

UB: A ligação ao treinador principal, Paulo Duarte. O Koffi, e outros GR, eram treinados com base no modelo de jogo definido pelo treinador ou adaptavam-se posteriormente? Ou seja, o trabalho específico tinha em conta os objectivos e o modelo de jogo da equipa?
E como era essa ligação com o treinador principal durante estes meses de trabalho (e de CAN também)?
VE: O treino tático do guarda redes deve ser sempre feito em função do modelo de jogo…
Na selecção o tempo é mais escasso mas sigo sempre a mesma linha de treino.

A referência em Mourinho:

UB: Quais as referências enquanto treinador? 

VE:Tive uma grande referência não só na parte dos guarda redes mas na relação com todos, tive o privilégio de ser treinado pelo melhor do mundo José Mourinho e o que mais aprendi com ele foi o facto de para poder ser um grande treinador primeiro tenho que ser um grande condutor de homens... De resto o futebol já foi inventado há muitos anos

Entrevista conduzida por Frederico Hilário e Gonçalo Xavier.

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