Muitas vezes os guarda-redes (e as equipas) são condicionados pelas decisões técnicas. Dizem que as vitórias chamam vitórias e essa rotina tem benefícios. Agora imaginem uma equipa que não chega às vitórias… como irá ser temida?

Os monstros, por vezes, são criados por uma boa gestão. E a gestão dos guarda-redes, que é aquilo que nos diz respeito, podem influenciar o rendimento dos mesmos e até da equipa. Foi por essa razão que Samir Handanovic era temido na época passada em Itália e esta época não o era. Agora voltou a ser e para isso só foi precisa uma coisa simples como… uma eliminação da Liga Europa.

O Inter de Milão tem tido uma época difícil. Já vão no 3ºtreinador e agora (espera-se) que se mantenha o comando técnico, pelo menos, até ao final da época. Já foram eliminados da Liga Europa, numa competição que foi um total fracasso tendo em conta as aspirações do clube na competição. E se formos a rever o calendário, em jogos pré e pós Europa, constatamos algo curioso…

  • 6 jogos na Liga Europa (4 derrotas, 2 vitórias, 10 sofridos). Nestes jogos, Handanovic fez 5 (foi expulso no penúltimo encontro) e Carrizo fez o último encontro, que venceram.
  • Nos jogos pré-Europa: 3 derrotas, 2 empates, 1 vitória.
  • Nos jogos pós-Europa: 4 vitórias, 2 derrotas

No total dos jogos nestes contextos, o Inter teve 7 vitórias, 2 empates, 9 derrotas. Se formos a contabilizar os jogos fora esta restrição, regista-se: 4 vitórias (2 recentes), 1 empate e 1 derrota (estes dois últimos sob o contexto de mudança de treinador antes da época começar, sendo os dois jogos inaugurais da temporada. Claramente melhor.

A conclusão é simples: A Europa não fez bem ao Inter de Milão. E a sua gestão da baliza, que é o ponto da crónica, não foi bem efectuada. Prova disso é que, Handanovic, após ser expulso na penúltima jornada da Liga Europa e já com a cabeça totalmente focada no campeonato, tem subido a sua forma. E a equipa também. Desde esse momento contam com 4 vitórias e 1 derrota (em Napoli) para o campeonato, sendo que nos últimos 3 jogos mantiveram a baliza inviolada. E isto era raro nesta temporada…

O nosso ponto é: Se o clube estava com limitações na Europa (em matéria de inscrições), mal tivesse o primeiro percalço, Handanovic deveria ter sido poupado para a liga italiana e deixar Carrizo liderar as tropas. Ou não jogava mesmo na competição. O guardião argentino ganhava tempo de jogo e Handanovic focava-se em ser o monstro (que é) na liga interna. Carrizo é competente e mostrou na última jornada da Liga Europa onde venceram o Sparta de Praga e defendeu uma grande penalidade. Seria uma gestão habilidosa para a baliza do clube. O Inter durante o período de Europa, não era temido e sofria com a dinâmica de derrota que trazia de cada encontro europeu. E Handanovic sofreu com isso. A cada jogo via uma equipa diferente à sua frente e isso não cria estabilidade para ninguém.

E hoje já podemos dizer… Já temos medo novamente de Samir Handanovic, como tínhamos na época passada quando só jogava na liga italiana. O monstro está de volta e a tendência é de ele melhorar, tal como o Inter.

  • Gonçalo Xavier – A Última Barreira

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