Deixamos apenas o mote para uma opinião que se potenciou durante o visionamento do Dortmund 2-2 Real Madrid. Keylor Navas não podia jogar naquele jogo… e se o fizesse, teria que ter uma condição que passamos a descrever.

Nunca, mas nunca, se deve lançar um guarda-redes após uma lesão delicada (neste caso ao tendão de Aquiles no pé esquerdo) num campo ou jogo complicado e muito menos sem ritmo competitivo. É um risco tremendo.

O trabalho em treino neste caso não é relevante porque é em campo, num jogo, que se vê quem está preparado. E Navas não estava preparado. Não dizemos que não estivesse a nível físico… mas a nível psicológico.  Prova disso foi a quantidade de bolas que desviou, estando desde o primeiro minuto intranquilo e desconfortável na partida:

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A lesão de Navas foi logo após a final da Champions da época passada e desde então não tinha feito mais jogos oficiais (foram mais de 3 meses de paragem). Por mais confiança que Zidane possa ter no guardião costa-riquenho, não pode cometer a “loucura” de lançar numa partida contra o Dortmund, no seu campo, no seu topo de forma ofensiva. Muito menos sem minutos jogados esta época. O resultado foi o que se viu: Um Keylor Navas bastante diferente do habitual, como seria de esperar. Estava preso de movimentos, lento e pouco seguro. Daí a opção em ficar posicionado em cima da linha de golo e de só desviar os remates ou lances de perigo do adversário. Mostrou durante toda a partida o desconforto.

Até para a própria equipa, já com dinâmicas com Kiko Casilla na baliza, se deve ter sentido desconfortável na partida apesar de todos já conhecerem Navas. Mas não conhecem este Navas mais limitado fisicamente e psicologicamente. E isso faz diferença também.

Como se poderia ajudar a dar confiança a Navas? Ter jogado no encontro anterior contra o Las Palmas. Era igualmente um jogo complicado como se provou no resultado final (2-2) mas se a intenção era lançar o costa-riquenho na Alemanha então deveria ter sido logo colocado em Las Palmas. Iria para o jogo mais confortável em campo pelo menos apesar de mesmo assim ter mostrado no empate contra o Eibar a uma bola, poucos dias depois do jogo em Dortmund que continua preso de movimentos e inseguro da sua própria condição física e anímica. Havia, claro, a opção de apostar em Keylor apenas após esta pausa para as seleções e manter a baliza em Kiko Casilla. Mas Zidane tinha de tomar uma decisão, e fê-lo desta forma.

Talvez esta pausa para lesões sirva para Keylor ganhar a confiança necessária para daqui a duas semanas voltar à velha forma do costume. Física e psicológica.

Artigo de Gonçalo Xavier para A Última Barreira e Fair Play
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